domingo, 30 de outubro de 2011

I’m So Glad I’m Standing Here Today – The Crusaders & Joe Cocker (1981)



* O YouTube não permitiu a exibição deste vídeo na Alemanha, apesar de ter usado fotografias autorizadas e utilizado meu próprio disco de vinil para inserir a canção. Peço desculpas aos leitores da Alemanha.


O grupo The Crusaders teve início no final dos anos de 1960. Na época, The Jazz Crusaders fazia uma mistura de Jazz tradicional, Gospel e Rock. Nos anos de 1970, o grupo passou a se chamar “The Crusaders” apenas, mas com a mesma mistura de ritmos, acrescentado o Pop e o Funk.
Foto: CD do autor.
The Crusaders estava prestes a gravar o terceiro álbum para a MCA Records em 1981, quando Joe Sample, pianista e líder do grupo, chamou o letrista Will Jennings para compor. Em vários dos álbuns do grupo – essencialmente instrumental – um artista era convidado a cantar. Para o álbum “Standing Tall” (MCA, 1981) o escolhido foi Joe Cocker.
Em entrevista, o letrista Will Jennings disse:
“Parecia que todos haviam escrito: ‘Fora Cocker’ – todos, menos nós. Por isso, escrevi uma música acerca de sobrevivência e triunfo – que penso eu -, ajudou Cocker a sobreviver e triunfar”.

Foto: disco do autor.
Foto: disco do autor.
Joe Cocker tinha apenas 37 anos, parecia ter muito mais, e já estava desacreditado por todos. Apesar da reabilitação, os convites para shows eram escassos e as gravadoras não o queriam mais. Quando o grupo “The Crusaders” levou a ideia de convidar Cocker para cantar duas músicas no álbum, a MCA Records foi contra: era um cantor sem crédito e sem contrato.
O álbum “Standing Tall” tem apenas 7 faixas. Joe Cocker cantou “I’m So Glad I’m Standing Here Today” com o entusiasmo de um jovem e a poderosa voz estava intacta. Sem exagero, Joe Cocker "roubou" o álbum. A última faixa é uma versão belíssima de "I'm So Glad... ".
O nome de Joe Cocker não aparece na capa do álbum. Apenas no verso, lê-se seu nome nas faixas “I’m So Glad I’m Standing Here Today” e “This Old World’s Too Funky For Me”. Fotografia, nem pensar. O single (compacto) foi lançado e as primeiras prensagens também não tinham uma fotografia de Cocker. Depois que música se tornou um sucesso mundial, uma nova leva de singles (compactos) trouxe uma fotografia de Cocker ao lado dos músicos. Seu envelhecimento aos 37 anos era perturbador. No Brasil, a música foi muito executada nas estações de rádio do Rio de Janeiro. Os locutores anunciavam: "Joe Cocker & Crusaders" e não o contrário.
As duas músicas cantadas por Joe Cocker foram indicadas ao Grammy Awards. Segundo Will Jennings:
“Na cerimônia do Grammy Awards, no Shrine Auditorium, Joe Cocker roubou a cena. O diretor de cinema Taylor Hatckford foi nocauteado pela performance e me pediu que escrevesse uma letra para seu próximo filme ‘An Officer and a Gentleman’ (A Força do Destino, 1982) e queria que Cocker a cantasse. ' I’m So Glad...'  marcou o recomeço de Cocker e ‘Up Where We Belong’ consolidou sua volta.”



Notas Fora da Pauta (Notes Outside The Musical Score)
Nota 1 – “I’m So Glad I’m Standing Here Today” não venceu o Grammy (Best Inspirational Music).
Nota 2 – “Standing Tall” é o album de maior vendagem do grupo “The Crusaders”.
Nota 3 – “Up Where We Belong” recebeu o Academy Awards de melhor canção e o Grammy Awards de Melhor Canção em Dueto de 1982. Foi 1º lugar na Billboard e 4º no British Top 50 Charts.
Nota 4 – No filme “An Officer and a Gentleman”, os atores Debra Winger e Richard Gere dançam ao som de “Feelings”, de Morris Albert, compositor brasileiro.
Nota 5 – A discografia de Joe Cocker após a reabilitação é extensa e repleta de sucessos.
Nota 6 – Em 2007, em entrevista à Agência EFE, Cocker respondeu que não é compositor, prefere escolher boas músicas de outros autores e interpretá-las de modo que pareçam compostas por ele. E, humildemente, acrescentou: "Não tenho autoridade para dar conselhos". 
Nota 7 – Em 2007, Joe Cocker recebeu a Ordem de Oficial Império Britânico (OBE). Em comemoração, fez duas apresentações em Londres e Sheffield, sua cidade natal.
Nota 8 – Em 2010, Cocker lançou “Hard Knocks” (Sony), seu mais recente e elogiado álbum. Sua agenda de shows continua lotada.
Jacy Dasilva

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Joe Cocker - A Década Perdida de 1970.

Foto: recorte do autor.

John Robert Cocker nasceu em 20 de maio de 1944 em Sheffield, Inglaterra. Aos 16 anos (1960) formou seu primeiro grupo, The Cavaliers. Joe Cocker cresceu influenciado pelo “skiffle” (gênero do rock tipicamente britânico) de Lonnie Donegan (1931-2002) e o som revolucionário de Ray Charles (1930-2004).
Em 1964, Joe Cocker, usando o pseudônimo de Vance Arnold, assinou contrato com a Decca Records e gravou uma versão de “I’ll Cry Instead” (Lennon & McCartney) que foi um fracasso apesar contar com o guitarrista Jimmy Page.
Joe seguiu em frente.
Entre 1965, Joe formou uma banda chamada “Joe Cocker’s Big Blue” e se manteve na ativa. Entre 1966 e 1969, formou um grupo mais consistente, chamado “Grease Band” e, com este chamou a atenção do produtor dos grupos Procol Harum, The Moody Blues e George Fame, chamado Denny Cordel. Por gravar uma faixa (“Marjorine”) sem o grupo, parte dele foi embora. A “New Grease Band” estava formada e Cocker partiu para o festival de Woodstock. Sua voz e os maneirismos conquistaram a plateia. Nascia uma estrela no mundo da música. Mas, assim como no filme de mesmo nome, a estrela iria cometer os excessos da década de 70 do Século XX.
Em 1970, ele não queria excursionar pelos Estados Unidos: estava exausto. Mas foi e montou um supergrupo de 30 músicos, “The Mad Dogs and The Englishmen”. As brigas entre Cocker e Leon Russell tornaram-se constantes e Cocker começou a beber excessivamente. Apesar disso, o grupo excursionou por 48 cidades americanas e recebia sempre críticas positivas da imprensa.
Quando retornou a sua cidade natal, Sheffield, seu estado físico e mental preocupou a todos de sua família. Mas, com um sucesso atrás do outro, Cocker retorna aos Estados Unidos e por lá fixa residência.
Em 1972, Cocker e outros músicos de sua banda foram presos, na Austrália, por posse de drogas. Foi solto no dia seguinte, mas devastou um quarto de hotel em Melbourne. Por isso, teve 48 horas para deixar o país. Os australianos deram a ele o apelido de “cachorro louco”.
Em 1973, seu produtor, Denny Cordell e vários músicos deixam de acompanha-lo. Joe Cocker conhece e afunda na heroína, álcool e maconha.
Em 1974, lança o luxuoso e elogiado álbum “I Can Stand a Little Rain”. A canção “You Are So Beautiful” alcança a 5ª posição na Billboard, mas Cocker não conseguia fazer shows completos. Durante a gravação de “I Can Stand a Little Rain”, as faixas restantes formaram um novo álbum, chamado “Jamaica Say You Will” (A&M Records). Cocker embarcou novamente para a Austrália com permissão do governo.
Em 1975, grava “Stingray” (A&M Records), um fracasso em vendas. Joe Cocker estava completamente intoxicado e falido. Sua dívida, apenas com a A&M Records somava US$800.000. Até para alugar um rancho de uma famosa atriz residente na Califórnia foi necessária interferência de amigos. A única saída foi tentar manter-se sóbrio e enfrentar uma maratona de shows pelo mundo.
Após 3 anos sem gravar, Cocker lançou o álbum “Luxury You Can Afford” (Asylum Records). Apesar de boas faixas, como “I Heard It Through The Grapevine” (Whitfield-Strong) e “Whiter Shade of Pale” (Broker, Keith, Fisher) as vendas foram insignificantes e não houve renovação de contrato. Aos 34 anos, Joe Cocker era um “nome a ser evitado” pela indústria fonográfica (Will Jennings, Los Angeles Times, 1981). Cocker sobreviveu dos shows e das apresentações em TVs dos Estados Unidos e Europa.
No final dos anos 70, Joe Cocker não contava com a ajuda de ninguém além de si próprio. Na época, ele cantava “With a Little Help From My Friends” (Lennon-McCartney) com certa ironia. E ele buscou a reabilitação, sem holofotes.
Apenas em 1981 voltaria a gravar 2 faixas, como convidado, no álbum de um grupo sem estilo definido. E Cocker não recusou a chance de voltar.
Jacy Dasilva

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

You Are So Beautiful – Joe Cocker (1974)



Após o enorme sucesso da versão de “With a Little Help From My Friends”, Joe Cocker tornou-se um pop star de nível internacional. Sua performance histórica no festival de Woodstock (1969) trouxe ofertas para gravar, no estilo Cocker, músicas de outros compositores.
Cocker colecionou sucessos como “Delta Lady” (Leon Russel), “Feeling Alright” (Mason), “Cry Me a River (Hamilton), The Letter (Thomas), e duas outras oferecidas por George Harrison (1943-2001) e Paul McCartney: “Something” (Harrison) e “She Came In Through The Bathroon Window” (Lennon-McCartney).


O cantor britânico passou a ficar mais tempo nos Estados Unidos.
Tudo parecia bem. Os convites para shows não faltavam, singles e álbuns com boa vendagem, shows lotados, mas Joe Cocker não estava bem. Ele estava consumindo álcool e vários tipos de drogas em escala industrial. Apesar disso, Joe gravou vários sucessos nesse período, incluindo “You Are So Beautiful”, composição de Billy Preston (1946-2006), Bruce Fisher e do ex-Beach Boy, Dennis Wilson (1944-1983).
Foto: A&M Records/www.amazon.com/
A gravação de Billy Preston, em 1974, não fez sucesso algum em sua própria interpretação. E ele parecia não levá-la muito a sério, tanto que foi Lado B de um single (compacto); o Lado A foi “Nothing From Nothing”. A canção fez parte do álbum “The Kids & Me” (A&M Records, 1974).
O processo de composição da melodia e letras simples é curioso. Durante uma festa, Billy Preston começou a tocar o piano do local, construindo acordes. Ao lado do piano, juntaram-se Bruce Fisher e Dennis Wilson que colocaram os versos simples da canção.
A música foi oferecida a Joe Cocker, que na época também tinha contrato com a A&M Records. Joe gravou a composição com a dedicação de sempre e fez da música em enorme sucesso nos Estados Unidos (5° lugar da Billboard).
O álbum que contém a canção é “I Can Stand a Little Rain”, milionário projeto envolvendo cerca de 30 músicos, incluindo Jimmy Webb (tocou piano, órgão, trombone, fez arranjos e ofereceu 2 composições próprias, “The Moon Is Harsh Mistress” e “It’s a Sin”) Ray Parker Jr., Nick Hopkins (1944-1994), Jeff Porcaro, Randy Newman e o produtor Jim Price, que fez os arranjos perfeitos para a voz de Joe Cocker. Ainda hoje, um grande álbum.
A interpretação de Joe Cocker para “You Are So Beautiful” é um clássico.
Mas a vida extravagante de Joe Cocker cobraria um preço alto, que contarei, respeitosamente, em breve.
Notas Fora da Pauta (Notes Outside Musical Score)
Nota 1 – Dennis Wilson nunca recebeu o crédito por sua colaboração em “You Are So Beautiful”. Mas consumava interpretá-la com “The Beach Boys” em shows até sua morte, em 1983.
Nota 2 – Nick Hopkins foi um dedicado pianista de estúdio. Tocou para “Rolling Stones”, “The Who”, “Jeff Beck”, “Led Zeppelin”, “Rod Stewart” e outros.
Nota 3 – No início de sua carreira, Joe Cocker chegou a recusar várias canções. Certo dia, um pianista, aspirante a compositor, chamado Reginald Dwigth, oferereu uma canção, imediatamente rejeitada por Cocker. Reginald, mais tarde, tornou-se conhecido como Elton John e a composição recusada foi “Your Song”.
Nota 4 – “You Are So Beautiful”, curiosamente, nunca entrou no Hit Parade britânico (The British Top 50 Charts).
Jacy Dasilva

domingo, 2 de outubro de 2011

With a Little Help From My Friends - Joe Cocker (1968)



Originalmente, With a Little Help From My Friends foi composta para o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Beatles, 1967. Ringo Starr, o baterista do grupo, sempre tinha uma trilha feita sob medida para seu pequeno alcance vocal. É basicamente uma composição de Paul McCartney. Em entrevista, John Lennon (1940-1980), disse:
“É uma música feita por Paul, com uma pequena ajuda minha”.
O álbum redefiniu a história da música popular, influenciando artistas ao redor do mundo, inclusive no Brasil: os Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e os novos compositores de Minas Gerais (Milton Nascimento, Wagner Tiso, Lô Borges) exibiram a influência em suas discografias e entrevistas ao longo das décadas futuras.
Além disso, o álbum é um marco na engenharia de som (Geoff Emerick, Richard Lust, Ken Scott, Pillip McDonald e Alan Parsons), produção (George Martin) e design gráfico (MC Productions, Apple, Peter Blake). O disco foi um desafio tecnológico vencido coletivamente.
Ninguém imaginava que a singela balada, falando de amizade - às vezes até entediante -, pudesse ganhar uma releitura devastadora 1 ano depois.
A versão de Joe Cocker
Joe Cocker começou a cantar sob a influência direta de Ray Charles e Lonnie Donegan (artista inglês que tocava skiffle: uma mistura de rock e country music). Em 1966, formou uma banda chamada “The Grease Band” e assinou contrato com a Regal Zonophone (um dos vários rótulos da EMI).
A transformação da balada num “heavy-gospel” foi trabalho de Leon Russell. Ele modificou o tempo musical, harmonias e Joe Cocker adaptou brilhantemente o jogo de perguntas e respostas que define a canção.
Para cada desafio, pegunta ou situação difícil, Cocker afirma que “pode contar com uma pequena ajuda de seus amigos”. Na gravação original temos Jimmy Page (antes do Led Zeppelin) na guitarra, Tommy Eyre no órgão, BJ Wilson (do grupo Procol Harum) na bateria, Chris Straiton (músico de sessão para Eric Clapton, Brian Ferry e The Who) no baixo e o luxuoso auxílio de Rosetta Hightower e Sunny Wheetman nos vocais marcantes para que transformação ficasse perfeita.
Os vocais de Joe Cocker os novos arranjos fizeram história. A gravação alcançou o número 1 no “Top 50 Charts” britânico em 19 de outubro de 1968 e permaneceu por 12 semanas entre as 50 melhores.
The Beatles enviaram para Cocker um telegrama de agradecimento pela gravação e, especialmente George Harrison (1943-2001) pediu que Cocker gravasse mais músicas do grupo – coisa que fez em quase todos os seus álbuns.
Notas Fora da Pauta (Notes Outside Musical Score)
Nota 1 - A versão catártica de Cocker foi um dos marcos do Festival de Woodstock em 1969.
Nota 2 – No vídeo deste artigo, Joe Coker está em boa companhia novamente: Stevie Winwood no órgão; Phill Collins na bateria; Ray Cooper na percussão; Pino Palladino no baixo; Brian May na guitarra e Sam Brown, Margo Buchanan e Claudia Fontaine nos vocais. A apresentação de Cocker fez parte das comemorações do 50° aniversário da coroação da rainha Elizabeth II da Inglaterra, em 2002. Cocker recebeu a Ordem do Império Britânico (OBE).
Nota 3 – Durante os anos 70 do Século XX, Joe Cocker perdeu muitos amigos e quase sua carreira artística. Mas conto a história em outro artigo.
Nota 4– Assisti Joe Cocker em 1991, no Estádio do Maracanã (Rock in Rio II) – um show impecável, espetacular e inesquecível.
Jacy Dasilva

Caro (a) Leitor de Phonopress,
“With a Little Help From My Friends”, interpretada por Joe Cocker é minha forma de agradecer aos leitores e comemorar 1 ano do blog Phonopress.
Após pouco mais de 50 artigos escritos e 9500 leitores no mundo inteiro, posso afirmar que contei com a ajuda de muitos amigos.
Espero ter cumprido o objetivo de ter contado boas histórias.
Não escrevi sobre todas as canções e temas propostos, é verdade. Mas sem o leitor, não teria persistido. E todos são bem-vindos.
Boa leitura.
Phonopress | Histórias Musicais

Dear Phonopress Reader,

“With a Little Help From My Friends”, performed by Joe Cocker is my way to express my gratitude and celebrate 1 year of this blog.
Along this year I wrote little more than 50 articles and always trying to tell god stories to 9500 readers around the world.
I’m sorry if I couldn’t write about all the songs requested.
But without the readers I would not persisted. And I always counted with a big help from my friends. All are welcome.
Good reading. 
Phonopress | Musical Stories