segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Theme From “New York, New York” – Frank Sinatra (1980)

Os compositores John Kander e Fred Ebb (1928-2004) fizeram esta música para o filme do diretor Martin Scorcese – New York, New York, 1977.
No filme, a canção foi interpretada por Liza Minelli e fez relativo sucesso. Estranhamente não foi indicada ao Academy Awards de melhor canção. Mas recebeu o Globo de Ouro e o BAFTA (o Oscar britânico) de melhor trilha-sonora. No Brasil, o filme foi elogiado por parte da crítica e “New York, New York” tocou nas rádios do Rio de Janeiro, especialmente na JB FM.
E onde Sinatra se encaixa na história?
Ele se identificou de imediato com a canção. Sinatra começou sua carreira artística no final da década de 30 do Século XX, cantando em programas de rádio e restaurantes à beira de estradas, em sua cidade natal, Hoboken, New Jersey. E o sonho de todo cantor era fazer sucesso na cidade grande, Nova York, que ficava apenas a alguns quilômetros de distância, uma travessia de rio, mas um desafio para qualquer iniciante.


No vídeo acima, vemos a comoção causada por suas apresentações no Paramount Theater, Nova York em 1942. Sinatra não era a apresentação principal e sim, “o rei do Swing”, o clarinetista e bandleader, Benny Goodman (1909-1986). Antes de Elvis, Beatles ou Michael Jackson, Sinatra foi o primeiro ídolo da música popular mundial. E ninguém sabia melhor dos altos e baixos da fama que Sinatra. Daí sua total identificação com “New York, New York”.
Sinatra começou a interpretar a canção em 1978 a partir de um show beneficente no Waldorf Astoria, seguindo-se de apresentações no Radio City Music Hall. Ele e seu público gostaram da interpretação, mas ele não pretendia gravar um disco.
Sinatra foi um voraz leitor de jornais e revistas. Em dezembro de 1978, um jornalista do The Wall Street Journal, David McClintick, escreveu um artigo no qual lamentava não existirem novos álbuns de Frank Sinatra. Sinatra leu o artigo, tirou cópias, deu aos amigos, dizendo:
“Esse cara me entende”.
Sinatra não gravava um álbum desde 1974, ano em que lançou dois álbuns: “Some Things I’ve Missed” e “The Main Event” – este último, a gravação do lendário show no Madison Square Garden.
Sinatra não ficou sem gravar porque quis - faltava repertório à altura. Sinatra passou toda a sua carreira escolhendo meticulosamente seu repertório. Recusava a interferência do departamento de marketing das gravadoras na escolha do que gravar, fazendo-o sair da Columbia Records e da Capitol.
Quando fundou sua própria gravadora, a Reprise, em 1961, cercou-se dos melhores arranjadores e músicos, mas os grandes compositores estavam em escassez. Regravou em stereo e maior fidelidade de som boa parte dos seus sucessos, mas havia cada vez menos composições inéditas a gravar.
Durante os anos 60, Sinatra tentou adaptar ao seu estilo músicas de shows da Broadway e do Rock. Os resultados foram controversos.
Os álbuns com Duke Ellington, Count Basie e Antonio Carlos Jobim são os melhores do período da Reprise Records.
Quando identificava alguma canção que fosse do seu estilo ou que pudesse adaptar, telefonava ao compositor e pedia para cantá-la. Além disso, convidava o compositor para ver sua interpretação e ouvia as opiniões destes. Assim fez com George Harrison (Something), Elton John (Sorry Seems To Be The Hardest Word), Barry Manilow (I Sing The Songs), Alice Cooper (You and Me), Morris Albert (Feelings), Neil Diamond (Sweet Caroline) Eric Carmen (All By Myself) e Stevie Wonder (You Are The Sunshine Of My Eyes). E para todos esses jovens compositores dizia:
“Garoto, se continuar compondo assim, vou cantar todas”.
Foto: www.amazon.com/
Assim, a partir do artigo de McClintick, Sinatra chamou 3 arranjadores (Don Costa, Gordon Jenkins e Billy May) e gravou em 1979 um álbum triplo chamado “Trilogy – Past, Present, Future”. Grandioso e ousado, “Trilogy” trouxe a voz de Sinatra interpretando sucessos do passado; autores contemporâneos, como Jimmy Webb, Kris Kristofferson, Michel Legrand, Billy Joel e outros. A parte chamada de “Future” foi uma extravagância desnecessária e nada acrescentou à obra. O designer gráfico, Saul Bass (1920-1996), fez a capa do álbum e o jornalista McClintick escreveu o texto de apresentação do álbum. Mas "Trilogy" só foi lançado em 1980 porque Sinatra não ficou satisfeito com os arranjos para “New York, New York”.
A introdução da canção apenas com piano, tal e qual na interpretação de Liza Minelli, não agradou Sinatra. O arranjador Don Costa (1925-1983) teve a solução ideal: escreveu na partitura as mesmas notas para piano, mas usando todos os metais e cordas da orquestra. O resultado foi uma introdução impactante e eficiente. E assim, Sinatra, aos 64 anos, voltava ao topo do Hit parade mundial, após 6 anos sem um álbum novo.
Nota 1 – Sinatra bateu o recorde de maior público pagante para um único artista em 26 de janeiro de 1980, apresentando-se no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. No show, Sinatra interpretou New York, New York. Eu tinha apenas 13 anos e assisti ao show pela TV.
Nota 2 - O álbum “Trilogy” custava US$ 20,95 quando foi lançado em março de 1980. Mesmo caro, vendeu 100 mil cópias (apenas nos Estados Unidos - Disco de Ouro) em poucas semanas e ficou em 17º lugar na lista da Billboard.
Nota 3 – Em entrevista ao canal de TV A&E, Liza Minelli afirmou que “New York, New York” foi oferecida primeiramente ao ator Robert De Niro, que recusou cantá-la, pois achou a canção “muito fraca”.
Nota 4 – Saul Bass foi designer gráfico, notabilizando-se pelos créditos de abertura dos filmes de Alfred Hitchcock (1899-1980).
Nota 5 – Em 1993, Sinatra e Tony Bennett regravaram a canção para o álbum Duets. O álbum vendeu 3 milhões de cópias (Disco Triplo de Platina) só no lançamento. Sinatra chamava New York, New York de “o Hino”. A partir de 1980 passou a encerrar seus shows com ela. Em várias ocasiões Sinatra chamou Liza Minelli ao palco para cantá-la com ele.
Nota 6 – A canção ficou tão associada à cidade de Nova York que é interpretada em todas as cerimônias de formatura da academia de polícia de Nova York. É cantada por toda a torcida do Yankees, um time de baseball, ao final de cada partida.
Nota 7 – Em New York, New York, Sinatra usa um recurso musical chamado rallento. Quando canta pela segunda vez “These little town blues...” Sinatra arrasta a voz e muda o tempo musical, causando um breve descompasso entre sua voz e a orquestra. O efeito é imediato: aplausos. Os cantores de ópera usam e abusam do recurso.
Nota 8 – Quando Antonio Carlos Jobim fez 50 anos, em janeiro de 1977, Sinatra não tinha o número de telefone de Jobim, mas queria parabenizá-lo. Telefonou para o jornal "O Globo", no Rio de Janeiro, e deixou recado.

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