quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tears In Heaven - Eric Clapton (1991)




Foto: divulgação.
A canção de autoria de Clapton e Will Jennings foi composta para o filme “Rush - Uma Viagem ao Inferno (Rush) de 1991”. O filme relata o cotidiano dos usuários de drogas, o submundo do crime e a corrupção policial que ronda a indústria dos narcóticos.
A música foi a maneira que Clapton encontrou para suportar a morte trágica de seu filho, Conor. A criança, com apenas 4 anos, caiu do 53° andar de um apartamento em New York em 20 de março de 1991.
Na trilha sonora do filme, quase todas as músicas são de autoria de Clapton. “Tears In Heaven” é a última faixa e entrou após as sessões de gravação já estarem finalizadas.
Na última hora, Clapton disse para Jennings:
 “Preciso compor algo para meu filho!”
Jennings pensou em não escrever os versos junto com Clapton, pois este já havia feito quase toda a música e, sobretudo, por ser assunto muito pessoal. Mas contribuiu com versos.
Ninguém estava interessado em fazer um hit e faturar com a tragédia, dor e o luto.
A letra e música não são piegas. Outro detalhe que notamos é que em nenhum verso Clapton usou as palavras “filho”, tampouco seu nome.
Foto: divulgação.
O álbum “Rush” foi lançado em 14 de janeiro de 1992.
No Brasil, a versão de estúdio chegou a tocar em rádios, com resultado modesto. O fato de a canção ter sido feita em tributo ao filho de Clapton foi levemente noticiada.
Em 25 de agosto de 1992, Clapton gravou para a MTV o álbum “Eric Clapton – Unplugged” e incluiu “Tears In Heaven” no repertório. O sucesso do álbum foi planetário (múltiplos Discos de Platina em todos os continentes) e resultou em 9 indicações ao Grammy Awards, das quais ganhou 6 prêmios.
É considerado um dos melhores álbuns dos anos 1990.
Sobre “Tears In Heaven”, Clapton disse:
“Eu, de forma subconsciente, usei o trabalho de composição como agente de cura. Compor me ajudou muito a superar o luto”.
Notas Fora da Pauta
Nota 1 – Após a tragédia pessoal, Clapton fez várias campanhas nas TVs britânicas alertando os pais sobre os riscos de acidentes domésticos.
Nota 2 – Em 2004, Clapton decidiu não tocar mais “Tears in Heaven” em shows. Alegou que tê-la interpretado por tanto tempo foi suficiente para ter paz.
Nota 3 - Virtuose na guitarra elétrica, Clapton usou o violão acústico com a costumeira naturalidade em “Unplugged”. O álbum vendeu mais de 6 milhões de cópias ao redor do mundo.
Nota 4 – Desde os anos 1970, Clapton visita o Brasil. Tornou-se amigo do produtor André Midani, Gilberto Gil e Jorge Ben.
Nota 5 – Eric Clapton retornará ao Brasil em outubro deste ano para shows no Rio, São Paulo e Porto Alegre.

Um comentário:

  1. Jacy,
    Contar a história da música enriquece a compreensão dela. E tem muito mais valor quando a história é contada por um médico amante da música. Como continuo a defender o amadorismo como a fonte pura, sem interesses econômicos ou ideológicos contaminantes, mais uma vez elogio, sem me cansar, o seu belíssimo trabalho.
    Jorge C P Nunes

    ResponderExcluir