quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rhapsody In Blue - George Gershwin (1924)


Poucas composições – clássicas ou não – descrevem tão bem o espírito de Nova York como “Rhapsody in Blue” de George Gershwin (1898-1937). A correria, verticalização da cidade no início do Século XX, competitividade, o destino de imigrantes com a esperança de vencer na maior cidade do mundo: tudo pode ser percebido na obra-prima.
Foto: Agência O Globo
Como tudo em Nova York, “Rhapsody in Blue” foi feita às pressas. O maestro e líder de orquestra, Paul Whiteman (1890-1967) encomendou uma composição a Gershwin: uma obra para piano e orquestra que fundisse elementos da música erudita com o Jazz. Ele teve apenas 5 semanas para isso.
E por que a pressa? Vários cantores e jazzistas haviam apresentado experimentos com a fusão dos estilos e, em particular, uma banda concorrente de Whiteman estava pretendendo fazer justamente um concerto para piano e orquestra. Whiteman poderia não ser o primeiro, mas queria ser o mais ousado. E foi. Reservou o Aeolian Hall, Nova York, para a noite de 12 de fevereiro de 1924, para o concerto chamado “An Experiment in Modern Music” (Um experimento em música moderna). Mas havia um problema: não havia uma linha de música escrita sequer.
Aos 26 anos, George Gershwin tinha apenas um sucesso conhecido, a música “Swanee”, interpretada por Al Jolson (1886-1950). O irmão Ira (1896-1983), letrista da na maioria de suas composições participou dando o nome definitivo “Rhapsody in Blue”, por causa de uma exposição de pinturas numa galeria de arte em Nova York.
Durante uma viagem de trem entre Nova York e Boston, Gershwin começou a compor. O som da locomotiva, dos trilhos, dos apitos, das paradas e o barulho das cidades e do metal – tudo contribuiu para a obra.
Anotou suas primeiras notas em 7 de janeiro de 1924 como um concerto para dois pianos. Os arranjos para a orquestra de metais e a sessão de cordas foram escritos por Ferde Grofé (1892-1972) e ficaram prontos uma semana antes do espetáculo. Grofré ousou em colocar um saxofone (instrumento que não faz parte de uma orquestra sinfônica) e no uso excessivo da surdina dos metais.
O próprio Gershwin tocou sua obra para piano, acompanhado da banda de Paul Whiteman e cordas. Fato é que George Gershwin não havia escrito toda a parte para piano. Ele improvisou na estreia, ao vivo e para convidados ilustres, como os compositores John Philip-Sousa (1854-1932), Rachmaninoff (1873-1943) e da crítica especializada.
Apesar das críticas desfavoráveis, os compositores e maestros logo passaram a querer cópias das partituras e, com o passar dos tempos, foi incorporada às execuções em salas de concerto pelo mundo inteiro. E sem exagero, é uma das composições que mudou o curso da história da música.
“Rhapsody in Blue” trouxe respeitabilidade ao Jazz e renovou o repertório clássico.

Notas Fora da Pauta (Notes out of score musical)
Nota 1 – Na abertura, o clarinete executa as primeiras notas glissando (aumentando e diminuindo o volume das notas executadas). A ideia foi de Ross Gorman, clarinetista da banda de Paul Whiteman.
Nota 2 – Rapsódia é o termo musical empregado para designar obras musicais de apenas um movimento e sem estrutura musical rígida, permitindo improvisos.
London Festival Orchestra, Decca, 1966
http://www.amazon.com/
New York Philharmonic, Sony, 1990
http://www.amazon.com/
Nota 3 – Paul Whiteman gravou a obra em disco e vendeu mais de 1 milhão de cópias de “Rhapsody in Blue”. Esta e outras gravações podem ser encontradas em lojas online. As preferidas deste autor são as gravações de Stanley Black (1913-2002) com a London Festival Orchestra, 1966 (Decca) e de Leonard Bernstein (1918-1990) e a New York Philharmonic, 1990 (Sony Classical).

Nota 4 – George Gershwin e seu irmão Ira deixaram um extenso songbook, explorado por intérpretes até os dias de hoje.
Nota 5 – “An American in Paris” e “Porgy & Bess”, obras de Gershwin, serviram para estabelecê-lo como compositor clássico, apesar da morte prematura aos 38 anos.
Nota 6 – A obra traduz com perfeição o “American Way Of Life”.
Jacy Dasilva

2 comentários:

  1. Jacy,
    Mais uma vez, você acertou na mosca, sobretudo com a escolha do primeiro vídeo, para o que é preciso também ter competência.
    Gosto muito da composição, até porque, em certo trecho, ela me lembra Tico-tico no fubá.
    Boa noite e meus parabéns.
    Jorginho

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  2. Mais um post muito legal. Pouco a pouco vou aumentando minha cultura musical.

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