quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Hello, Dolly! – Louis Armstrong (1964)



Após 2 anos sem gravar uma única trilha ou álbum, Louis Armstrong entrou num estúdio em dezembro de 1963 para gravar uma canção inédita. Com a idade de 63 anos, Armstrong lotava plateias, mas gravava esporadicamente.

Os discos da moda, no início dos anos 1960, eram os álbuns de Rock (Elvis, Beatles, Bob Dylan, por exemplo), Bossa Nova (Jobim, Getz, João e Astrud Gilberto), o som da Atlantic Records ou Motown. Na área do Jazz, apenas Miles Davis (considerado à época sucessor de Louis) vendia bem seus álbuns.

Pois Louis Armstrong gravou um compacto (single) para uma gravadora obscura e independente, chamada Kapp Records.
A música era “Hello, Dolly!”, obra de um compositor pouco conhecido, Jerry Herman, para um musical da Broadway intitulado “The Matchmaker” (em português, a casamenteira).

Um pianista chamado Jack Lee, trabalhava como demonstrador de uma editora musical.
Sua função era divulgar a música, torná-la conhecida para servir de chamariz para o novo musical.
Jack mostrou a música para Dave Kapp, o dono da gravadora, que não quis gravá-la.
Insistiu e mostrou ao filho do dono, chamado Mickey, que gostou e mostrou-a a Joe Glaser, agente de Armstrong.
Glaser, sem nem tê-la mostrado a Louis, disse que ele gravaria a canção como um favor.
De fato, a música carecia de atributos.
Louis, quando foi gravar a música, leu a partitura sem nenhum entusiasmo e perguntou para Mickey:

“Como você quer que eu cante isso?”

O grupo instrumental de Armstrong, os All-Stars, fizeram seu melhor. Louis modificou a monotonia original da canção – coisa que apenas os grandes intérpretes fazem com sucesso -, alterou o segundo verso da canção para “This is  LEW-isss, Dolly”, fez um belo solo de trompete e partiu em turnê para Porto Rico.

O dono da gravadora acrescentou um banjo à introdução (instrumento que remetia aos velhos tempos do Dixieland) e uma sessão de cordas, em abril de 1964.
“The Matchmaker” estreou em janeiro de 1964, antes do lançamento do disco de Armstrong e recebeu crítica regulares e público escasso.
Após o lançamento da gravação de Armstrong, o musical “The Matchmaker” teve o nome trocado para “Hello, Dolly!”.

Armstrong, em turnê, recebeu um telefonema de Joe Glaser dizendo que “Hello, Dolly!” era um sucesso e que deveria ser incorporada ao repertório dos shows.
Mas os músicos nem lembravam mais da partitura.
As lojas não tinham mais o disco e um exemplar foi mandado de avião para Nova York para que pudessem reaprender a executá-la ao vivo.
No primeiro show que a apresentaram, repetiram-na 8 vezes, a pedido do público.

A música superou The Beatles na parada de sucessos em 9 de maio de 1964.
Aos 63 anos, Armstrong foi o artista mais velho a conseguir o topo, o número 1 na Billboard. Na Inglaterra, a música alcançou o quarto lugar e ficou 14 semanas no Britsh Top 50.
Louis Armstrong recebeu o Grammy Awards de melhor música e vocal masculino de 1964.

O cachê de Armstrong subiu e os convites para programas de TV e apresentações não cessaram mais.

Os artistas mais tradicionais festejaram a volta de Armstrong ao patamar de onde nunca deveria ter sido retirado.
A homenagem mais sincera veio de Frank Sinatra (1915-1998), amigo de Louis de longa data.
Frank preparava um álbum com a orquestra de Count Basie (1904-1984) e arranjos de Quincy Jones e incluiu “Hello, Dolly!” no repertório.
A versão de Sinatra teve a letra modificada, funcionando como um pedido e incentivo para que Louis continuasse a fazer o seu som, tocasse o trompete e que nunca mais fosse embora da cena musical.




O sucesso da gravação de Louis impulsionou o musical da Broadway a ponto deste ganhar uma versão cinematográfica em 1969, dirigida por Gene Kelly (1912-1996) e estrelada por Barbra Streisand.
Armstrong foi convidado, contracena com Streisand e cantam “Hello, Dolly!” em dueto.




Notas Fora da Pauta (Notes out the musical score)

Nota 1 – Dixieland é o termo usado para designar o Jazz puro, como foi criado e executado por pequenos conjuntos em New Orleans no início de 1900.

Nota 2 - Louis Armstrong (1901-1971) foi o maior e melhor divulgador do gênero tipicamente americano, o Jazz. Embora não tenha sido o primeiro músico a fazer uma gravação, Armstrong popularizou o disco como veículo de distribuição de música.

Nota 3 – A gravação de “Hello, Dolly!” por Louis Armstrong foi incluída no Grammy Hall of Fame em 2001. O prestigioso selo de Jazz, Verve, detém atualmente a gravação de Amstrong feita para a pequenina Kapp Records.

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