quinta-feira, 23 de junho de 2011

Oh, Happy Day – The Edwin Hawkins Singers (1968)



O Coral Jovem do Norte da Califórnia precisava de dinheiro para participar de um concurso no Congresso da Juventude Batista em Washington (D.C.) e não tinha dinheiro para a viagem (de ônibus) nem hospedagem. E eram 46 cantores com idades entre 17 e 25 anos.
O posicionamento dos músicos em apresentações
ao vivo foi diferente daquele usado para a
gravação do álbum.
Já haviam pedido dinheiro à congregação, mas não dava pra levar todo mundo. O que fazer? Fazer um disco!

O pianista da Ephesian Church of God in Christ, Edwin Hawkins, fez novos arranjos e gravou – na própria igreja - 8 tradicionais hinos religiosos. As gravações foram realizadas pelo método mais simples possível: um gravador de rolo com apenas dois canais e um par de microfones.

Mas como gravar 46 vozes, um piano e percussão com 2 microfones?
  
Na gravação em questão o método foi o seguinte:
O coral foi posicionado em semicírculo;
Do lado esquerdo o piano e a cantora solista, Dorothy Morrison;
no direito, a percussão.
O par de microfones com as cabeças de captação formando um ângulo de 90 graus. Estes elevados entre 2,5 e 3 metros do chão e apontados para o centro. Além disso, distanciados entre 2,5 e 5 metros de todo o coral.
Os microfones foram ligados diretamente no gravador. O controle do nível de entrada do som feito apenas acompanhando os ponteiros do gravador.
Resumindo: simples e eficiente.

As fitas foram mandadas para a 20th Century Records, Los Angeles, para a prensagem caridosa de apenas 500 cópias, destinadas à venda entre os fiéis.

Os discos não ficaram prontos para custear a viagem, mas o grupo conseguiu ir ao concurso e ficou em segundo lugar na competição. A música “Oh, Happy Day” não era a preferida do grupo e não foi cantada.

Quando o coral retornou à Califórnia, “Oh Happy Day” estava tocando em várias rádios, sobretudo naquelas não religiosas, o que desagradou a comunidade batista. As rádios foram peticionadas a não tocarem o hino religioso.
Nada adiantou.

A cantora e o grupo foram contratados pela Buddah Records e o álbum “Let Us Go Into The House of The Lord” foi lançado nacionalmente e o grupo foi rebatizado de “The Edwin Hawkins Singers”. A canção religiosa foi sucesso nos Estados Unidos, Europa e resto do mundo a partir do início de 1969.
O coral que, inicialmente, pretendia ir da Califórnia a Washington, viajou o mundo inteiro.

Notas Fora da Pauta

Nota 1 – “Oh, Happy Day” foi composta pelo clérigo inglês, Philip Doddrige (1702-1751) e teve diversos colaboradores até ficar pronta, em 1755, sob o nome de “Oh, Happy Day That I Fixed My Choice”.
Até hoje, é o único hino religioso tradicional que entrou no Hit Parade americano, conquistando o 4º lugar. No Reino Unido, ficou 13 semanas nas paradas e alcançou o 2° lugar.

Nota 2 – Edwin Hawkins Singers recebeu o Grammy de melhor performance religiosa. Ao longo da carreira, o grupo recebeu mais 3 Grammys.

Nota 3 – Jack Jones (1969), Glenn Campbell (1970), Joan Baez (1971), Aretha Franklin (1987), Elvis Presley (1971), Laurin Hill e Queen Latifah (em 2009) regravaram a canção. Orquestras e corais de todo o mundo também levaram a canção aos estúdios. Porém, a mais conhecida regravação foi a de Roberta Kelly, em ritmo de disco music, de 1978.


Nota 4 – George Harrison compôs “My Sweet Lord” em 1970, inspirado em “Oh, Happy Day”, segundo contou em diversas entrevistas.
Porém, a semelhança com “He’s So Fine”, do grupo The Chiffons, fez Harrison perder uma ação por plágio.

Nota 5 – O coral existe até hoje e regravou várias vezes o hino, com mais recursos e acompanhamento de orquestras, mas sem o mesmo impacto que a singela gravação amadora provocou.

Jacy Dasilva

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