quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chico Anysio – 80 Anos e Compositor Também

Há 80 anos nascia Chico Anysio.
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu em Maranguape, Ceará em 12 de abril de 1931.
Ator - sobretudo de humor -, redator, produtor, comentarista de futebol, contrarregra, diretor, pintor, ator de cinema, dublador, escritor e mais.
No rádio, ganhou projeção nacional pela criação e interpretação de tipos em programas humorísticos – formato que levou para a televisão com grande sucesso a partir de 1959 na TV Rio.
Seu período mais criativo e de maior audiência veio a partir da TV Globo.
Em 1973, cria um programa humorístico todo encenado numa cidade fictícia, “Chico City”, exibido semanalmente até 1980.
Este show fazia críticas mordazes aos costumes provincianos e políticos, começando pelo prefeito corrupto, Valfrido Canavieira.
Sempre é lembrado pelo humor que produziu.
Personagens e bordões que foram incorporados à linguagem popular, oriundos de tipos como Pantaleão (É mentira, Terta?), Painho (Afe Maria), Lingüinha, Alberto Roberto (Símbalo sescual), Professor Raimundo (E o salário, ó!), o Profeta, Gastão Franco (Calada!), Bozó ("Eu sou da Globo!") e muitos outros.  
Talvez chegue a uma centena as personagens criadas por ele.
Cercou-se de seus velhos companheiros de rádio, resgatando-os para a televisão.
Sua versatilidade em criar tipos tão diversos – no comportamento e voz – impressiona e é frequentemente questionado sobre como conseguia.
Ele respondia:

“Não sei, já tentaram explicar, dizendo possuir alguma influência espírita, mas eu não sei”.

Porém, Chico é menos lembrado por também ser compositor – e de sucessos.
Em Chico City (Programa humorístico semanal exibido entre 1973 e 1980), criou uma dupla musical com Arnaud Rodrigues (1942-2010) chamada “Baianos e os Novos Caetanos”.
Os destaques musicais da dupla foram “Vô Batê Pá Tu (Arnaud Rodrigues-Orlandivo), canção na qual comentavam as delações de artistas de esquerda no regime militar brasileiro e “Folia de Reis”, uma homenagem a esta manifestação religiosa do catolicismo.

A produção musical de Chico Anysio vem de longe.
Em 1954, “Guarda Chuva de Pobre”, gravada pelos Vocalistas Tropicais.
“A Fia de Chico Brito”, de 1956, por Dolores Duran (1930-1959).
O Trio Irakitan, em 1957, lança em disco outra composição de Chico, “Hino ao Músico”.
Chico gravou em 1960 as marchas carnavalescas “Não Sou de Nada” e “Eu Sou Durão”, parceria com Mario Lago (1911-2002).
No IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro (1965) compôs em parceria com João Roberto Kelly “Rancho da Praça Onze”, gravada por Dalva de Oliveira (1917-1972).
Nos anos de 1970, como mencionado acima, gravou discos com “Baiano e Os Novos Caetanos” (gravadora CID) – de excelente vendagem e execução em rádios.
Produziu gravações de seus shows, como comediante, inclusive no Carneggie Hall.
Em 1980, foi parceiro de Benito Di Paula em “De Quem é Essa Morena”.

A canção escolhida pelo autor é “Rio Antigo” (parceria com Nonato Buzar) belamente interpretada por Alcione em 1979 para álbum de vendagem recorde - “Gostoso Veneno” – PolyGram (Philips/Universal).


A composição traz a memória dos tempos do bonde, teatro de revista, Cinelândia, bares, música, rádio e personagens típicos de um Rio de Janeiro efervescente em cultura.
Chico Anysio também marcou a história da música brasileira.

Jacy Dasilva

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