terça-feira, 1 de março de 2011

Cidade Maravilhosa – André Filho (1934)



Hoje, 1º de março, é aniversário da Cidade do Rio de Janeiro.
A cidade foi fundada pelo militar português, Estácio de Sá, em 1565, com o nome de Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Estácio de Sá chegou em 1563 com a missão de expulsar os invasores franceses que queriam instalar uma colônia, a França Antártica no Brasil. 
Estácio aliou-se aos mandatários da Capitania de São Vicente (São Paulo), jesuítas e índios de várias tribos, conseguindo expulsar os franceses em 20 de janeiro de 1565. Por isso, o santo padroeiro da cidade é São Sebastião.
O índio Arariboia (tribo temiminó) apoiou os portugueses, ganhou um pedaço de terra do outro lado da Baía de Guanabara e fundou a cidade de Niterói (águas escondidas em tupi-guarani) em 22 de novembro de 1567.
O Rio tornou-se capital do Brasil-colônia em 1763.
Com a chegada da família real portuguesa em 1808, o Rio foi alçado à condição de capital de todo o Império português.
Proclamada a República (1889), o Rio de Janeiro foi capital do Brasil até 1960.
O termo “Cidade Maravilhosa” foi dado pelo escritor maranhense Coelho Neto (1864-1934) em homenagem às belezas naturais da cidade nos anos 1920.
E como era o Rio de Janeiro nos anos 1930?
O cinejornal da Metro-Goldwyn-Meyer (TCM) nos dá uma ajuda, embora com um olhar de exotismo.
E o Rio de Janeiro era lindo mesmo.


Antônio André de Sá Filho (1906-1964) nasceu no Rio de Janeiro, mas ainda criança foi considerado menino de "mau comportamento". Por conta disso, foi enviado a Niterói para ser internado no Colégio Salesiano, conhecido pela sua disciplina e educação musical.
André ficou órfão muito cedo foi criado pelos avós.
André e irmãs receberam aulas de música.
No colégio, tornou-se amigo de Henrique Foréis Domingues (1908-1980), mais conhecido como "Almirante" ("a maior patente do rádio"), que teve grande influência na vida musical de André.
André Filho foi um aplicado aluno de música e aprendeu a tocar vários instrumentos.
Voltou para o Rio e tornou-se músico, depois de desistir do Direito e recusar o pedido da família para que fosse médico.
Ele foi compositor, arranjador, locutor e autor de jingles para várias emissoras de rádio do Rio.
Em parceria com Noel Rosa (1910-1937), compôs o clássico samba "Filosofia".
Destacou-se como autor de vários sambas e marchas carnavalescas para Carmen Miranda (1909-1955), Silvio Caldas (1908-1998), Mário Reis (1907-1981) e Vicente Celestino (1894-1968).
Compôs “Cidade Maravilhosa” quando morava numa casa situada à rua do Matoso, Tijuca.
Queria que Carmen Miranda a gravasse.
Ela achou a composição ótima para deslanchar a carrreira de sua irmã, também cantora - Aurora Miranda (1915-2005).
André ao violão e Aurora gravaram “Cidade Maravilhosa” para a Odeon (EMI) em 1934.
No concurso oficial de marchas de carnavalescas de 1935, “Cidade Maravilhosa” já era conhecida e favorita do público, mas ficou em segundo lugar.
Pouco importa, é a primeira no coração dos habitantes dos Rio de Janeiro.
Foi a composição favorita de seu autor.
Em qualquer baile de Carnaval é executada pelas bandas e acompanhada pelo público com entusiamo há gerações.
Qualquer disco de Carnaval que se preze tem "Cidade Maravilhosa" como faixa - LP ou CD.
As regravações foram inúmeras, mas a de Caetano Veloso valoriza os versos da canção.



Jacy Dasilva

Notas Fora da Pauta

Nota 1 – O governador Carlos Lacerda (1914-1977) escolheu a marcha como hino oficial do Estado da Guanabara em 1964. O prefeito César Maia, em 2003, ratificou a canção como hino oficial do Rio de Janeiro.

Nota 2 - A gravação de Aurora e André foi relançada em LP e CD por Chico, gentilíssimo dono da extinta rede de lojas Moto Discos, em 1990 com a ajuda da EMI. Além disso, lançou uma série extensa de LPs remasterizados com antigos cantores da "época de ouro do rádio" e antigos sucessos de carnaval.

Nota 3 - Apesar de usar o vídeo oficial da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016, celebro o aniversário do Rio e homenageio o autor de seu hino.

Nota 4 – Até hoje, a Banda do Colégio Salesiano de Niterói encerra suas apresentações com “Cidade Maravilhosa” em homenagem ao ex-aluno. Pude testemunhar, pois participava da banda "rival", a do Colégio Plínio Leite.

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