segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tico-Tico no Fubá – Zequinha de Abreu (1917)



José Gomes de Abreu nasceu em Santa Rita do Passa Quatro, SP, em 1880.
Seu pai, farmacêutico, queria que ele fosse médico; José queria ser Zequinha de Abreu.
E começou a compor bem menino e iniciou os estudos em música antes da adolescência.
Aos 16 anos (1896) compôs “Flor da Estrada” e “Bafo de Onça”, um maxixe, ritmo que Mário de Andrade (1893-1945) considerava o primeiro genuinamente brasileiro, embora reconhecesse que era uma mistura do tango, da habaneira e da polca.
Em 1917, em sua cidade natal, comandava um baile e executou um choro inacabado e sem nome, cujo agito dos pares no salão lhe fez dizer: “parece um tico-tico no farelo”.
Logo “Tico-tico no Fubá” tornou-se um sucesso por onde Zequinha levava sua orquestra.
A composição só foi editada em 1930 e ganhou a primeira gravação no ano seguinte -14 anos depois de criada -, pela Orquestra Colbaz do maestro Gaó (1909-1992).
Esta gravação (Columbia) permaneceu em catálogo até o final dos anos 1940.
Eurico Barreiros foi o primeiro a acrescentar uma letra para o disco de 1942 na voz Ademilde Fonseca. Alvarenga, da dupla Alvarenga e Ranchinho, também pôs letra em Tico-tico no Fubá, com o subtítulo de “Vamos Dançar, Comadre”.
Mas a interpretação de Carmen Miranda (1909-1955) com versos de Aloysio de Oliveira (1914-1995) foi a versão que internacionalizou a obra.
A composição foi usada em 1943 no filme de Walt Disney (1901-1966) “Saludos Amigos” (Alô, Amigos) e no musical “Thousands Cheer” (A Filha do Comandante).
Em 1944, em mais dois filmes: “Bathing Beauty” (Escola de Sereias) e “Kansas City Kitty” (Afinal de Quem é a Kitty?).
Em 1947, novamente na voz de Carmen para o filme “Copacabana”.
A gravação pela organista Ethel Smith (1910-1996) em 1944 levou a canção ao 14º lugar na parada pop americana vendeu mais de um milhão de cópias.
Por esta gravação a música passou a ser conhecida no mundo inteiro por “Tico-tico”.
Zequinha de Abreu faleceu em São Paulo a 22 de janeiro de 1935 sem saber que seu choro, sem nome e inacabado se tornaria um clássico internacional.

Notas Fora da Pauta

Nota 1 – Tico-tico é um pássaro muitas vezes confundido com o pardal.

Não tenho o crédito do cartaz. Achei o cartaz na Internet. Darei o crédito se tiver a fonte.

Nota 2 – Em 1952, Zequinha foi homenageado na cinebiografia “Tico-tico no Fubá”, dirigida por Adolfo Celi (1922-1986), estrelada por Anselmo Duarte (1920-2009) e Tônia Carrero. O filme está disponível em DVD e faz parte do acervo do Canal Brasil.

Nota 3 – Zequinha compôs valsas (“Branca”, nome de sua esposa, “Tardes em Lindóia” e outras) que podem ser encontradas em suas gravações de época no CD “Zequinha de Abreu – Só Pelo Amor Vale a Vida” (Revivendo).
Outro disco importante é “Zequinha de Abreu interpretado por Jacques Klein (1930-1982) e Ezequiel Moreira” (Eldorado, 1979, relançada em CD).

Nota 4 – O guitarrista Pepeu Gomes gravou uma versão pop e instrumental da obra em 1981 (Warner).

Nota 5 – Michel Legrand regeu a London Studio Orchestra para o CD de 1998 “Happy Radio Days” (ainda em catálogo) e “Tico-tico” é a primeira música; “Delicado” (Waldir Azevedo) é a décima faixa.

Nota 6 – A Orquestra de Heliópolis (São Paulo) sob a regência de Roberto Tibiriçá executou “Aquarela do Brasil”, “Brasileirinho” e “Tico-tico no fubá” em outubro de 2010 no Festival Beethovenfest em  Bonn, Alemanha.
O público, segundo o Estadão (6 de outubro de 2010), não resistiu e levantou das poltronas.
A música agitou o salão mais uma vez.

Jacy Dasilva

Um comentário:

  1. No Hotel Piratininga no Baixo da Luz em São Paulo,onde dizem que Zéquinha de Abreu faleceu, seus funcionários nunca ouviram falar de Zéquinha de Abreu e sequer conhecem sua música mais famosa, Tico Tico no Fubá. Esse pais realmente não tem memória.

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