sábado, 1 de janeiro de 2011

La Marseillaise – Rouge de Lisle (1792)



Hoje, 1 de janeiro de 2011, não contarei a história de nosso hino.
Não tenho razões para tal.
A democracia não é apenas o direito a voto regular. Democracia é um sistema que assegura as liberdades individuais e coletivas com a igualdade entre os poderes da nação.
Não é isso que tivemos nos últimos 8 anos.
Tivemos a corrupção em níveis inéditos.
Tivemos a perseguição a órgãos de imprensa, como no caso do jornal "O Estado de São Paulo".
Igualmente o atual governo rasgou os princípios básicos da diplomacia internacional.
A eleição de Dilma Rousseff trouxe de volta a camarilha ao primeiro escalão da república brasileira.
O assalto ao Erário permanecerá?
Para quem participou pela restauração do regime democrático, hoje não é dia de comemorar.
Para quem foi aos comícios pelas eleições diretas neste país, hoje é dia de expectariva.
Para quem teve amigos e familiares mortos pelas guerrilhas e aparelhos oficiais de repressão, hoje ainda é dia de luto.
As lutas armadas  - de ambos os lados - foram insanas e condenáveis.
Para quem freqüentou redações de jornais brasileiros e se deparou com censores, hoje não é dia de liberdade. Porque este governo que se perpetua quer calar a imprensa.
A morte de Celso Daniel e do prefeito de Jandira foram crimes políticos em pleno regime democrático.
O déficit público será o calcanhar da nova presidente.
Restaurar as trapalhadas na política externa também.
Nos últimos 8 anos assistimos Lula apoiar todo tipo de regime autoritário.
E o estrago na diplomacia é grave.
A lei de controle social da imprensa está na ordem do dia. Ainda que inconstitucional.
Os funcionários públicos, eleitos ou concursados, são servidores do povo.
Somos mal tratados de hospitais a tribunais e achamos normal.
Não é normal.
Recebem salários pagos por nós.
Hoje, não vejo a festa da democracia.
Não torço pelo atual governo, visto que é obrigação do mesmo - e de qualquer governante - servir ao povo.
A corruptocracia se perpetua no Brasil até o momento.
Hoje, temos o triunfo do radicalismo, do fanatismo militante e da propaganda política.

Quando Francisco Franco, ditador e genocida espanhol morreu em 1975, todos esperavam que seu pupilo, o atual rei Juan Carlos desse continuidade ao regime.
Não deu. Instaurou uma democracia parlamentarista.
Não foram necessárias eleições para que se fizesse uma democracia.
Nixon, presidente americano entre 1968 e 1974, foi eleito pelo voto e governou de forma abusiva, usando todo aparato repressivo possível. Renunciou por causa dos abusos que cometeu.
A ditadura brasileira acabou muito mais pela pressão do presidente Jimy Carter (1976-1980) e outros líderes mundiais, incluindo o Papa João Paulo II, do que pelas guerrilhas.
O voto, por si só, não garante democracia.

“La Marseillaise”, é uma canção revolucionária que se tornou hino da França.
Composta por um oficial, Rouget de Lisle (1770-1863), em 1792 alcançou grande sucesso popular em plena Revolução Francesa.
Napoleão Bonaparte a odiava. Igualmente Luis VIII e Napoleão III. Sua execução era considerada subversiva.
Apenas com a instauração da III República é que “La Marseillaise” foi definitivamente aceita como o hino francês, recebendo ratificações nas constituições de 1946 e 1958. A orquestração é de Hector Berlioz (1803-1869).
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi adotada como hino da Resistência Francesa e por todos que lutavam contra o nazismo.
Em “Casablanca”, filme de 1942, há uma cena no bar do Rick, personagem de Humphrey Bogart (1899-1957), em que um grupo de nazista está se refestelando ao som de “Deutschland Über Alles” e incomoda a todos os presentes. Victor Lazlo, um herói da resistência tcheca, interpretado por Paul Heinred (1908-1992) pede que orquesta da casa toque “La Marseillaise” e contagia a todos com a mensagem de bravura e liberdade do hino francês.

Jacy Dasilva

Um comentário:

  1. Prezado Jacy:

    Cheguei ao teu blog pelo tema "Música". Mas fico muito feliz de saber que as afinidades e opiniões se ampliam.
    Parabéns pela crônica política. Realmente o dia 1 de janeiro foi um dia de tristeza. Não posso dizer para o povo brasileiro, pois que votou e elegeu. E que parece que gosta do que teve durante oito anos e pediu mais oito. Já passei os oito últimos anos da minha vida sem presidente e, possivelmente, vou repetir a dose nós próximos oito. Quem sabe, com o tempo, consigo ignorar o executivo da Nação. O que não está nada certo ...

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