quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Baker Street - Gerry Rafferty (1978)



Gerry Rafferty (1947-2011), um compositor despretensioso.
Perdeu o pai aos 16 anos e por isso, começou a compor.
Como de praxe, montou diversas pequenas bandas nos anos 60.
Gerry era escocês, bem como sua mãe. O pai, irlandês, foi vitimado pelo alcoolismo.
Sua mãe lhe ensinou música e canções do folclore escocês e irlandês.
As influências de Bob Dylan e Beatles também foram importantes ao seu estilo de composição, conforme entrevistas dadas.
Em 1972, formou com Joe Egan a banda Stealers Wheel.
O som não era impressionante, tampouco barulhento.
Faziam um soft-rock agradável, melodioso. Os discos eram bem gravados e mixados.
Os discos tiveram venda modesta, porém significativa em seu tempo.
Não dava pra competir com Cat Stevens - no auge do sucesso - nem ambicionavam isso.
Os maiores sucessos da banda são: “Next To Me” e “Stuck In The Middle With You”. Esta última foi usada nos filme “Cães de Aluguel” (Reservoir Dogs, 1992) de Quentin Tarantino.

Next To Me



Stuck In The Middle With You


O grupo Stealers Wheel acabou em 1975 e começaram as disputas legais pelo uso do nome da banda. É compreensível: muitas vezes vemos o anúncio de um show com o nome do artista seguido de "ex-conjunto tal". E não faltariam exemplos.
Sem poder usar o nome da banda, lança “City to City”, em 1978 com seu nome Gerry Raferty.
Por conta da faixa “Baker Street”, o disco vendeu 5 milhões e meio de cópias, rivalizando com a trilha sonora de “Os Embalos de Sábado à Noite” (Saturday Night Fever). E a música estava longe de ser dançante. Além disso, era enorme, 6 minutos – tudo que as rádios odeiam.
Existem versões compactas de 4 e 5 minutos.
A canção foi motivada pela frustração do autor com a vida londrina. Por conta das questões legais envolvendo seu antigo grupo, viajava constantemente entre Glasgow e Londres.
Um amigo emprestou-lhe um apartamento na Baker Street, rua londrina imortalizada por Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) em seus romances estrelados por Sherlock Holmes.
Gerry achava Londres fria e impessoal e põe suas impressões nos versos.
Tudo que ele queria era voltar pra sua casinha no interior da Escócia.
Uma música de 6 minutos, com uma introdução instrumental de 1 minuto – que também é o refrão que não recebeu letra –, um solo imenso de guitarra e com versos entristecidos era a fórmula do fracasso. Não foi.
O solo de sax-alto, tocado por Raphael Ravenscroft agradou. Conheço gente que aprendeu o instrumento por causa da música.
Igualmente, o solo de guitarra, tocado por Hugh Burns foi considerado pela revista "Rolling Stone" um dos 100 mais belos da música pop.
A introdução, gravada bem alto, apresenta a parte da melodia cantada. Nota-se uma percussão ao estilo árabe a princípio.
Os sintetizadores não ofuscam, ao contrário, a economia deles valoriza as inferências.
A gravação é uma lição de engenharia sonora. E nisso, os ingleses são mestres.
A música foi um sucesso e ele ficou um bom tempo na estrada. Não voltou pra casa.
Seu desabafo rendeu milhões em todas as moedas.
Foi regravada pela London Symphony Orchestra (excelente orquestração de Louis Clark), Maynard Ferguson, grupos de heavy metal diversos e Foo Fighters.
Gerry Rafferty faleceu ontem, dia 4, na Itália, de insuficiência hepática.

Notas Fora da Pauta

Nota 1 - No mundo inteiro a música provocou um aumento súbito nas vendas de saxofones.

Nota 2 - No Brasil, a música chegou em 1980 e era tocada, integralmente, na Rádio Cidade (102,9) do Rio de Janeiro. Os locutores Romilson Luiz e Fernando Mansur não deixavam de elogiar a música.

Nota 3 - Em 1989, a coletânea “The Best Of Gerry Rafferty” trouxe a música com mais 30 segundos. A mesma coletânea foi relançada em 2006.

Nota 4 - Seu parceiro, Joe Egan, seguiu carreira solo e é mais conhecido pela música "Back on The Road", sucesso de 1979.

Jacy Dasilva

Um comentário:

  1. Bela lembrança e belo post Jacy. Gerry Rafferty merece o destaque..
    Abs, Manuel Blesa

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