segunda-feira, 28 de novembro de 2011

A “Invasão Britânica” – O Nascimento do Pop Inglês

Já mencionei o termo “invasão britânica” neste blog algumas vezes. No futuro próximo, eu pretendo comentar alguns nomes do "British Pop" da década de 60 do Século XX. Assim,  uma explicação do fenômeno é necessária.
Classicamente, a “Invasão Britânica” denomina apenas a chegada dos Beatles aos Estados Unidos (7 de fevereiro de 1964) e a apresentação no The Ed Sullivan Show, em 9 de fevereiro de 1964. Da mesma forma, o termo se aplica a todos os outros artistas britânicos que chegaram aos Estados Unidos depois destes eventos.






O intercâmbio cultural entre o Reino Unido e os Estados Unidos durante o Século XX foi intenso. O Jazz foi o primeiro estilo musical americano a atravessar o Atlântico e conquistar o Reino Unido na década de 1920 – os “anos loucos”. Em contrapartida, Charles Chaplin (1889-1977) foi para os Estados Unidos e tornou-se um astro de proporções mundiais.
Os compositores clássicos e britânicos Edward Elgar (1857-1934) e Gustav Holst (1874-1934) já eram admirados em terras americanas.
No final da década de 1930, o diretor Alfred Hitchcock (1899-1980) foi para os Estados Unidos e desenvolveu um estilo único de fazer cinema. Hitchcock foi o primeiro diretor de cinema a atrair plateias aos cinemas apenas pelo fato dele ser o diretor.
Ainda na década de 1930, as Big Bands causavam o mesmo furor que uma banda de Heavy Metal causa nos dias atuais, e nos dois lados do Atlântico.
Os discos e o rádio foram fundamentais para a divulgação de artistas como Glenn Miller (1904-1944), Duke Ellington (1899-1974), Count Basie (1904-1984), Benny Goodman (1909-1986) e Louis Armstrong (1901-1971). As turnês destes artistas na Europa eram frequentes.
Os discos americanos eram difundidos por toda a Europa graças ao poder da rádio BBC. Os cantores e intérpretes de jazz britânicos não tinham a mesma chance em terras americanas. Mas isso mudaria.
Em 1938, nos Estados Unidos, a transmissão radiofônica por Orson Wells (1915-1985) da “Guerra dos Mundos”, do autor britânico H.G. Wells (1966-1946) causou terror, mas é inegável que os livros de Wells, Agatha Christie (1890-1976), Arthur Conan Doyle (1859-1930) formam mais lidos em terras americanas depois do programa de Orson Wells.
Em 1939, Frank Sinatra (1015-1998) gravou seus primeiros discos e se tornou o primeiro pop star da música. E, então, veio a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), que mudou tudo para sempre.
Os Estados Unidos não entraram na guerra de imediato, havia grande resistência entre a população. Mas os americanos produziam armas e as enviavam para os britânicos e seus aliados.
Após o ataque à base americana de Pearl Harbor, em 7 de dezembro de 1941, Franklin Roosevelt (1882-1945) juntou-se a Winston Churchill (1874-1965) e as duas nações comandaram a resistência e a ofensiva ao nazifascismo.
Sinatra e Bing Crosby faziam shows e gravavam discos específicos para elevar o moral das tropas e arrecadar fundos para a guerra.
O cinema produziu obras-primas que podem ser vistas até hoje, como “O Grande Ditador”, de Chaplin e “Casablanca”, de Michael Curtiz (1866-1962).
Os britânicos produziram filmes como “Dangerous Moonlight”, com seu famoso Warsaw Concerto (comentado aqui neste blog: http://www.phonopress.com/2010/11/warsaw-concerto-concerto-de-varsovia.html) , e “Love Story (1941) e também visto aqui em: http://www.phonopress.com/2011/01/cornish-rhapsody-huberth-bath-1944.html.
Mas a resistência do povo britânico foi o fator decisivo para a vitória dos Aliados. Londres e outras cidades britânicas foram atacadas durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) por dirigíveis (os Zeppelins); na Segunda Guerra e pela primeira vez na História, por mísseis V1, V2 e aviões. Estes, chamados de Stukas,  possuíam sirenes com único propósito de causar terror. E causavam. Assim, Londres foi destruída novamente.
Os discursos de Churchill – via BBC – à população forneciam conforto e pediam bravura aos britânicos e aos soldados nos campos de batalha.



A cantora londrina Vera Lynn foi uma verdadeira soldado com sua voz. A canção “We’ll Meet Again” consolou e deu esperança de reencontro às famílias que mandaram maridos e filhos para o combate e para as mães que mandaram crianças para a Austrália, pois estavam vulneráveis demais em Londres, Liverpool e Manchester.



E, assim, resistindo e combatendo, o Reino Unido não sucumbiu ao nazismo.
Ao final da guerra, existiam cerca de 100 bases militares americanas na Inglaterra. Os discos americanos chegavam às bases via navios e aviões. As rádios britânicas tocavam Sinatra, Crosby, Ella, Nat Cole e Tony Bennett. Este último tornou-se cantor após combater como soldado na Europa.
A guerra acabada trouxe problemas. O nazismo derrotado devolveu a sensação de liberdade perdida. Mas as explosões atômicas em Hiroshima e Nagasaki tiveram como consequências sócio-políticas: a Guerra Fria e a sensação de apocalipse instantâneo. Em outras palavras: estamos livres mas, como podemos morrer a qualquer momento, vamos viver tudo intensamente.
Para este autor, estas são as raízes do Rock & Roll americano e britânico. E mais, um estilo feito pelos jovens e para a juventude.
Os americanos absorveram os estilos R&B, o Blues, o Jazz, o Gospel, o Country-Western e daí nasceu o seu próprio Rock: o negro e o branco.
Bill Haley & His Comets, Pat Boone, The Beach Boys, Jerry Lee Lewis e Elvis Presley para os brancos.
Little Richard, Chuck Berry e Ray Charles para os negros. Infelizmente, havia segregação racial na música americana.
Os britânicos ouviam de tudo e foram influenciados por todos igualmente. E devolveram aos americanos, o Rock & Roll muito mais interessante: branco, negro, britânico e para todos.
As crianças que nasceram antes da Segunda Guerra, como George Martin (EMI) e Les Reed (Decca) produziram os jovens nascidos na guerra, como Lennon, McCartney, Tom Jones, Adam Faith, The Who, Rolling Stones e uma lista que vem até os dias de hoje.

Não poderia deixar de mencionar que o sistema educacional britânico contava com várias escolas de artes, responsáveis pela formação de vários talentos no período do pós-guerra.

Agora sabemos a história por trás da histeria.
Nota Fora da Pauta (Note Outside Score Music)
Nota 1 – Meu padrastro, Jimy Nitkowski, estava na plateia do The Ed Sullivan Show, assistiu The Beatles e o nascimento da Beatlemania.
Jacy Dasilva

domingo, 30 de outubro de 2011

I’m So Glad I’m Standing Here Today – The Crusaders & Joe Cocker (1981)



* O YouTube não permitiu a exibição deste vídeo na Alemanha, apesar de ter usado fotografias autorizadas e utilizado meu próprio disco de vinil para inserir a canção. Peço desculpas aos leitores da Alemanha.


O grupo The Crusaders teve início no final dos anos de 1960. Na época, The Jazz Crusaders fazia uma mistura de Jazz tradicional, Gospel e Rock. Nos anos de 1970, o grupo passou a se chamar “The Crusaders” apenas, mas com a mesma mistura de ritmos, acrescentado o Pop e o Funk.
Foto: CD do autor.
The Crusaders estava prestes a gravar o terceiro álbum para a MCA Records em 1981, quando Joe Sample, pianista e líder do grupo, chamou o letrista Will Jennings para compor. Em vários dos álbuns do grupo – essencialmente instrumental – um artista era convidado a cantar. Para o álbum “Standing Tall” (MCA, 1981) o escolhido foi Joe Cocker.
Em entrevista, o letrista Will Jennings disse:
“Parecia que todos haviam escrito: ‘Fora Cocker’ – todos, menos nós. Por isso, escrevi uma música acerca de sobrevivência e triunfo – que penso eu -, ajudou Cocker a sobreviver e triunfar”.

Foto: disco do autor.
Foto: disco do autor.
Joe Cocker tinha apenas 37 anos, parecia ter muito mais, e já estava desacreditado por todos. Apesar da reabilitação, os convites para shows eram escassos e as gravadoras não o queriam mais. Quando o grupo “The Crusaders” levou a ideia de convidar Cocker para cantar duas músicas no álbum, a MCA Records foi contra: era um cantor sem crédito e sem contrato.
O álbum “Standing Tall” tem apenas 7 faixas. Joe Cocker cantou “I’m So Glad I’m Standing Here Today” com o entusiasmo de um jovem e a poderosa voz estava intacta. Sem exagero, Joe Cocker "roubou" o álbum. A última faixa é uma versão belíssima de "I'm So Glad... ".
O nome de Joe Cocker não aparece na capa do álbum. Apenas no verso, lê-se seu nome nas faixas “I’m So Glad I’m Standing Here Today” e “This Old World’s Too Funky For Me”. Fotografia, nem pensar. O single (compacto) foi lançado e as primeiras prensagens também não tinham uma fotografia de Cocker. Depois que música se tornou um sucesso mundial, uma nova leva de singles (compactos) trouxe uma fotografia de Cocker ao lado dos músicos. Seu envelhecimento aos 37 anos era perturbador. No Brasil, a música foi muito executada nas estações de rádio do Rio de Janeiro. Os locutores anunciavam: "Joe Cocker & Crusaders" e não o contrário.
As duas músicas cantadas por Joe Cocker foram indicadas ao Grammy Awards. Segundo Will Jennings:
“Na cerimônia do Grammy Awards, no Shrine Auditorium, Joe Cocker roubou a cena. O diretor de cinema Taylor Hatckford foi nocauteado pela performance e me pediu que escrevesse uma letra para seu próximo filme ‘An Officer and a Gentleman’ (A Força do Destino, 1982) e queria que Cocker a cantasse. ' I’m So Glad...'  marcou o recomeço de Cocker e ‘Up Where We Belong’ consolidou sua volta.”



Notas Fora da Pauta (Notes Outside The Musical Score)
Nota 1 – “I’m So Glad I’m Standing Here Today” não venceu o Grammy (Best Inspirational Music).
Nota 2 – “Standing Tall” é o album de maior vendagem do grupo “The Crusaders”.
Nota 3 – “Up Where We Belong” recebeu o Academy Awards de melhor canção e o Grammy Awards de Melhor Canção em Dueto de 1982. Foi 1º lugar na Billboard e 4º no British Top 50 Charts.
Nota 4 – No filme “An Officer and a Gentleman”, os atores Debra Winger e Richard Gere dançam ao som de “Feelings”, de Morris Albert, compositor brasileiro.
Nota 5 – A discografia de Joe Cocker após a reabilitação é extensa e repleta de sucessos.
Nota 6 – Em 2007, em entrevista à Agência EFE, Cocker respondeu que não é compositor, prefere escolher boas músicas de outros autores e interpretá-las de modo que pareçam compostas por ele. E, humildemente, acrescentou: "Não tenho autoridade para dar conselhos". 
Nota 7 – Em 2007, Joe Cocker recebeu a Ordem de Oficial Império Britânico (OBE). Em comemoração, fez duas apresentações em Londres e Sheffield, sua cidade natal.
Nota 8 – Em 2010, Cocker lançou “Hard Knocks” (Sony), seu mais recente e elogiado álbum. Sua agenda de shows continua lotada.
Jacy Dasilva

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Joe Cocker - A Década Perdida de 1970.

Foto: recorte do autor.

John Robert Cocker nasceu em 20 de maio de 1944 em Sheffield, Inglaterra. Aos 16 anos (1960) formou seu primeiro grupo, The Cavaliers. Joe Cocker cresceu influenciado pelo “skiffle” (gênero do rock tipicamente britânico) de Lonnie Donegan (1931-2002) e o som revolucionário de Ray Charles (1930-2004).
Em 1964, Joe Cocker, usando o pseudônimo de Vance Arnold, assinou contrato com a Decca Records e gravou uma versão de “I’ll Cry Instead” (Lennon & McCartney) que foi um fracasso apesar contar com o guitarrista Jimmy Page.
Joe seguiu em frente.
Entre 1965, Joe formou uma banda chamada “Joe Cocker’s Big Blue” e se manteve na ativa. Entre 1966 e 1969, formou um grupo mais consistente, chamado “Grease Band” e, com este chamou a atenção do produtor dos grupos Procol Harum, The Moody Blues e George Fame, chamado Denny Cordel. Por gravar uma faixa (“Marjorine”) sem o grupo, parte dele foi embora. A “New Grease Band” estava formada e Cocker partiu para o festival de Woodstock. Sua voz e os maneirismos conquistaram a plateia. Nascia uma estrela no mundo da música. Mas, assim como no filme de mesmo nome, a estrela iria cometer os excessos da década de 70 do Século XX.
Em 1970, ele não queria excursionar pelos Estados Unidos: estava exausto. Mas foi e montou um supergrupo de 30 músicos, “The Mad Dogs and The Englishmen”. As brigas entre Cocker e Leon Russell tornaram-se constantes e Cocker começou a beber excessivamente. Apesar disso, o grupo excursionou por 48 cidades americanas e recebia sempre críticas positivas da imprensa.
Quando retornou a sua cidade natal, Sheffield, seu estado físico e mental preocupou a todos de sua família. Mas, com um sucesso atrás do outro, Cocker retorna aos Estados Unidos e por lá fixa residência.
Em 1972, Cocker e outros músicos de sua banda foram presos, na Austrália, por posse de drogas. Foi solto no dia seguinte, mas devastou um quarto de hotel em Melbourne. Por isso, teve 48 horas para deixar o país. Os australianos deram a ele o apelido de “cachorro louco”.
Em 1973, seu produtor, Denny Cordell e vários músicos deixam de acompanha-lo. Joe Cocker conhece e afunda na heroína, álcool e maconha.
Em 1974, lança o luxuoso e elogiado álbum “I Can Stand a Little Rain”. A canção “You Are So Beautiful” alcança a 5ª posição na Billboard, mas Cocker não conseguia fazer shows completos. Durante a gravação de “I Can Stand a Little Rain”, as faixas restantes formaram um novo álbum, chamado “Jamaica Say You Will” (A&M Records). Cocker embarcou novamente para a Austrália com permissão do governo.
Em 1975, grava “Stingray” (A&M Records), um fracasso em vendas. Joe Cocker estava completamente intoxicado e falido. Sua dívida, apenas com a A&M Records somava US$800.000. Até para alugar um rancho de uma famosa atriz residente na Califórnia foi necessária interferência de amigos. A única saída foi tentar manter-se sóbrio e enfrentar uma maratona de shows pelo mundo.
Após 3 anos sem gravar, Cocker lançou o álbum “Luxury You Can Afford” (Asylum Records). Apesar de boas faixas, como “I Heard It Through The Grapevine” (Whitfield-Strong) e “Whiter Shade of Pale” (Broker, Keith, Fisher) as vendas foram insignificantes e não houve renovação de contrato. Aos 34 anos, Joe Cocker era um “nome a ser evitado” pela indústria fonográfica (Will Jennings, Los Angeles Times, 1981). Cocker sobreviveu dos shows e das apresentações em TVs dos Estados Unidos e Europa.
No final dos anos 70, Joe Cocker não contava com a ajuda de ninguém além de si próprio. Na época, ele cantava “With a Little Help From My Friends” (Lennon-McCartney) com certa ironia. E ele buscou a reabilitação, sem holofotes.
Apenas em 1981 voltaria a gravar 2 faixas, como convidado, no álbum de um grupo sem estilo definido. E Cocker não recusou a chance de voltar.
Jacy Dasilva

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

You Are So Beautiful – Joe Cocker (1974)



Após o enorme sucesso da versão de “With a Little Help From My Friends”, Joe Cocker tornou-se um pop star de nível internacional. Sua performance histórica no festival de Woodstock (1969) trouxe ofertas para gravar, no estilo Cocker, músicas de outros compositores.
Cocker colecionou sucessos como “Delta Lady” (Leon Russel), “Feeling Alright” (Mason), “Cry Me a River (Hamilton), The Letter (Thomas), e duas outras oferecidas por George Harrison (1943-2001) e Paul McCartney: “Something” (Harrison) e “She Came In Through The Bathroon Window” (Lennon-McCartney).


O cantor britânico passou a ficar mais tempo nos Estados Unidos.
Tudo parecia bem. Os convites para shows não faltavam, singles e álbuns com boa vendagem, shows lotados, mas Joe Cocker não estava bem. Ele estava consumindo álcool e vários tipos de drogas em escala industrial. Apesar disso, Joe gravou vários sucessos nesse período, incluindo “You Are So Beautiful”, composição de Billy Preston (1946-2006), Bruce Fisher e do ex-Beach Boy, Dennis Wilson (1944-1983).
Foto: A&M Records/www.amazon.com/
A gravação de Billy Preston, em 1974, não fez sucesso algum em sua própria interpretação. E ele parecia não levá-la muito a sério, tanto que foi Lado B de um single (compacto); o Lado A foi “Nothing From Nothing”. A canção fez parte do álbum “The Kids & Me” (A&M Records, 1974).
O processo de composição da melodia e letras simples é curioso. Durante uma festa, Billy Preston começou a tocar o piano do local, construindo acordes. Ao lado do piano, juntaram-se Bruce Fisher e Dennis Wilson que colocaram os versos simples da canção.
A música foi oferecida a Joe Cocker, que na época também tinha contrato com a A&M Records. Joe gravou a composição com a dedicação de sempre e fez da música em enorme sucesso nos Estados Unidos (5° lugar da Billboard).
O álbum que contém a canção é “I Can Stand a Little Rain”, milionário projeto envolvendo cerca de 30 músicos, incluindo Jimmy Webb (tocou piano, órgão, trombone, fez arranjos e ofereceu 2 composições próprias, “The Moon Is Harsh Mistress” e “It’s a Sin”) Ray Parker Jr., Nick Hopkins (1944-1994), Jeff Porcaro, Randy Newman e o produtor Jim Price, que fez os arranjos perfeitos para a voz de Joe Cocker. Ainda hoje, um grande álbum.
A interpretação de Joe Cocker para “You Are So Beautiful” é um clássico.
Mas a vida extravagante de Joe Cocker cobraria um preço alto, que contarei, respeitosamente, em breve.
Notas Fora da Pauta (Notes Outside Musical Score)
Nota 1 – Dennis Wilson nunca recebeu o crédito por sua colaboração em “You Are So Beautiful”. Mas consumava interpretá-la com “The Beach Boys” em shows até sua morte, em 1983.
Nota 2 – Nick Hopkins foi um dedicado pianista de estúdio. Tocou para “Rolling Stones”, “The Who”, “Jeff Beck”, “Led Zeppelin”, “Rod Stewart” e outros.
Nota 3 – No início de sua carreira, Joe Cocker chegou a recusar várias canções. Certo dia, um pianista, aspirante a compositor, chamado Reginald Dwigth, oferereu uma canção, imediatamente rejeitada por Cocker. Reginald, mais tarde, tornou-se conhecido como Elton John e a composição recusada foi “Your Song”.
Nota 4 – “You Are So Beautiful”, curiosamente, nunca entrou no Hit Parade britânico (The British Top 50 Charts).
Jacy Dasilva

domingo, 2 de outubro de 2011

With a Little Help From My Friends - Joe Cocker (1968)



Originalmente, With a Little Help From My Friends foi composta para o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Beatles, 1967. Ringo Starr, o baterista do grupo, sempre tinha uma trilha feita sob medida para seu pequeno alcance vocal. É basicamente uma composição de Paul McCartney. Em entrevista, John Lennon (1940-1980), disse:
“É uma música feita por Paul, com uma pequena ajuda minha”.
O álbum redefiniu a história da música popular, influenciando artistas ao redor do mundo, inclusive no Brasil: os Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil e os novos compositores de Minas Gerais (Milton Nascimento, Wagner Tiso, Lô Borges) exibiram a influência em suas discografias e entrevistas ao longo das décadas futuras.
Além disso, o álbum é um marco na engenharia de som (Geoff Emerick, Richard Lust, Ken Scott, Pillip McDonald e Alan Parsons), produção (George Martin) e design gráfico (MC Productions, Apple, Peter Blake). O disco foi um desafio tecnológico vencido coletivamente.
Ninguém imaginava que a singela balada, falando de amizade - às vezes até entediante -, pudesse ganhar uma releitura devastadora 1 ano depois.
A versão de Joe Cocker
Joe Cocker começou a cantar sob a influência direta de Ray Charles e Lonnie Donegan (artista inglês que tocava skiffle: uma mistura de rock e country music). Em 1966, formou uma banda chamada “The Grease Band” e assinou contrato com a Regal Zonophone (um dos vários rótulos da EMI).
A transformação da balada num “heavy-gospel” foi trabalho de Leon Russell. Ele modificou o tempo musical, harmonias e Joe Cocker adaptou brilhantemente o jogo de perguntas e respostas que define a canção.
Para cada desafio, pegunta ou situação difícil, Cocker afirma que “pode contar com uma pequena ajuda de seus amigos”. Na gravação original temos Jimmy Page (antes do Led Zeppelin) na guitarra, Tommy Eyre no órgão, BJ Wilson (do grupo Procol Harum) na bateria, Chris Straiton (músico de sessão para Eric Clapton, Brian Ferry e The Who) no baixo e o luxuoso auxílio de Rosetta Hightower e Sunny Wheetman nos vocais marcantes para que transformação ficasse perfeita.
Os vocais de Joe Cocker os novos arranjos fizeram história. A gravação alcançou o número 1 no “Top 50 Charts” britânico em 19 de outubro de 1968 e permaneceu por 12 semanas entre as 50 melhores.
The Beatles enviaram para Cocker um telegrama de agradecimento pela gravação e, especialmente George Harrison (1943-2001) pediu que Cocker gravasse mais músicas do grupo – coisa que fez em quase todos os seus álbuns.
Notas Fora da Pauta (Notes Outside Musical Score)
Nota 1 - A versão catártica de Cocker foi um dos marcos do Festival de Woodstock em 1969.
Nota 2 – No vídeo deste artigo, Joe Coker está em boa companhia novamente: Stevie Winwood no órgão; Phill Collins na bateria; Ray Cooper na percussão; Pino Palladino no baixo; Brian May na guitarra e Sam Brown, Margo Buchanan e Claudia Fontaine nos vocais. A apresentação de Cocker fez parte das comemorações do 50° aniversário da coroação da rainha Elizabeth II da Inglaterra, em 2002. Cocker recebeu a Ordem do Império Britânico (OBE).
Nota 3 – Durante os anos 70 do Século XX, Joe Cocker perdeu muitos amigos e quase sua carreira artística. Mas conto a história em outro artigo.
Nota 4– Assisti Joe Cocker em 1991, no Estádio do Maracanã (Rock in Rio II) – um show impecável, espetacular e inesquecível.
Jacy Dasilva

Caro (a) Leitor de Phonopress,
“With a Little Help From My Friends”, interpretada por Joe Cocker é minha forma de agradecer aos leitores e comemorar 1 ano do blog Phonopress.
Após pouco mais de 50 artigos escritos e 9500 leitores no mundo inteiro, posso afirmar que contei com a ajuda de muitos amigos.
Espero ter cumprido o objetivo de ter contado boas histórias.
Não escrevi sobre todas as canções e temas propostos, é verdade. Mas sem o leitor, não teria persistido. E todos são bem-vindos.
Boa leitura.
Phonopress | Histórias Musicais

Dear Phonopress Reader,

“With a Little Help From My Friends”, performed by Joe Cocker is my way to express my gratitude and celebrate 1 year of this blog.
Along this year I wrote little more than 50 articles and always trying to tell god stories to 9500 readers around the world.
I’m sorry if I couldn’t write about all the songs requested.
But without the readers I would not persisted. And I always counted with a big help from my friends. All are welcome.
Good reading. 
Phonopress | Musical Stories   

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Theme From “New York, New York” – Frank Sinatra (1980)

Os compositores John Kander e Fred Ebb (1928-2004) fizeram esta música para o filme do diretor Martin Scorcese – New York, New York, 1977.
No filme, a canção foi interpretada por Liza Minelli e fez relativo sucesso. Estranhamente não foi indicada ao Academy Awards de melhor canção. Mas recebeu o Globo de Ouro e o BAFTA (o Oscar britânico) de melhor trilha-sonora. No Brasil, o filme foi elogiado por parte da crítica e “New York, New York” tocou nas rádios do Rio de Janeiro, especialmente na JB FM.
E onde Sinatra se encaixa na história?
Ele se identificou de imediato com a canção. Sinatra começou sua carreira artística no final da década de 30 do Século XX, cantando em programas de rádio e restaurantes à beira de estradas, em sua cidade natal, Hoboken, New Jersey. E o sonho de todo cantor era fazer sucesso na cidade grande, Nova York, que ficava apenas a alguns quilômetros de distância, uma travessia de rio, mas um desafio para qualquer iniciante.


No vídeo acima, vemos a comoção causada por suas apresentações no Paramount Theater, Nova York em 1942. Sinatra não era a apresentação principal e sim, “o rei do Swing”, o clarinetista e bandleader, Benny Goodman (1909-1986). Antes de Elvis, Beatles ou Michael Jackson, Sinatra foi o primeiro ídolo da música popular mundial. E ninguém sabia melhor dos altos e baixos da fama que Sinatra. Daí sua total identificação com “New York, New York”.
Sinatra começou a interpretar a canção em 1978 a partir de um show beneficente no Waldorf Astoria, seguindo-se de apresentações no Radio City Music Hall. Ele e seu público gostaram da interpretação, mas ele não pretendia gravar um disco.
Sinatra foi um voraz leitor de jornais e revistas. Em dezembro de 1978, um jornalista do The Wall Street Journal, David McClintick, escreveu um artigo no qual lamentava não existirem novos álbuns de Frank Sinatra. Sinatra leu o artigo, tirou cópias, deu aos amigos, dizendo:
“Esse cara me entende”.
Sinatra não gravava um álbum desde 1974, ano em que lançou dois álbuns: “Some Things I’ve Missed” e “The Main Event” – este último, a gravação do lendário show no Madison Square Garden.
Sinatra não ficou sem gravar porque quis - faltava repertório à altura. Sinatra passou toda a sua carreira escolhendo meticulosamente seu repertório. Recusava a interferência do departamento de marketing das gravadoras na escolha do que gravar, fazendo-o sair da Columbia Records e da Capitol.
Quando fundou sua própria gravadora, a Reprise, em 1961, cercou-se dos melhores arranjadores e músicos, mas os grandes compositores estavam em escassez. Regravou em stereo e maior fidelidade de som boa parte dos seus sucessos, mas havia cada vez menos composições inéditas a gravar.
Durante os anos 60, Sinatra tentou adaptar ao seu estilo músicas de shows da Broadway e do Rock. Os resultados foram controversos.
Os álbuns com Duke Ellington, Count Basie e Antonio Carlos Jobim são os melhores do período da Reprise Records.
Quando identificava alguma canção que fosse do seu estilo ou que pudesse adaptar, telefonava ao compositor e pedia para cantá-la. Além disso, convidava o compositor para ver sua interpretação e ouvia as opiniões destes. Assim fez com George Harrison (Something), Elton John (Sorry Seems To Be The Hardest Word), Barry Manilow (I Sing The Songs), Alice Cooper (You and Me), Morris Albert (Feelings), Neil Diamond (Sweet Caroline) Eric Carmen (All By Myself) e Stevie Wonder (You Are The Sunshine Of My Eyes). E para todos esses jovens compositores dizia:
“Garoto, se continuar compondo assim, vou cantar todas”.
Foto: www.amazon.com/
Assim, a partir do artigo de McClintick, Sinatra chamou 3 arranjadores (Don Costa, Gordon Jenkins e Billy May) e gravou em 1979 um álbum triplo chamado “Trilogy – Past, Present, Future”. Grandioso e ousado, “Trilogy” trouxe a voz de Sinatra interpretando sucessos do passado; autores contemporâneos, como Jimmy Webb, Kris Kristofferson, Michel Legrand, Billy Joel e outros. A parte chamada de “Future” foi uma extravagância desnecessária e nada acrescentou à obra. O designer gráfico, Saul Bass (1920-1996), fez a capa do álbum e o jornalista McClintick escreveu o texto de apresentação do álbum. Mas "Trilogy" só foi lançado em 1980 porque Sinatra não ficou satisfeito com os arranjos para “New York, New York”.
A introdução da canção apenas com piano, tal e qual na interpretação de Liza Minelli, não agradou Sinatra. O arranjador Don Costa (1925-1983) teve a solução ideal: escreveu na partitura as mesmas notas para piano, mas usando todos os metais e cordas da orquestra. O resultado foi uma introdução impactante e eficiente. E assim, Sinatra, aos 64 anos, voltava ao topo do Hit parade mundial, após 6 anos sem um álbum novo.
Nota 1 – Sinatra bateu o recorde de maior público pagante para um único artista em 26 de janeiro de 1980, apresentando-se no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro. No show, Sinatra interpretou New York, New York. Eu tinha apenas 13 anos e assisti ao show pela TV.
Nota 2 - O álbum “Trilogy” custava US$ 20,95 quando foi lançado em março de 1980. Mesmo caro, vendeu 100 mil cópias (apenas nos Estados Unidos - Disco de Ouro) em poucas semanas e ficou em 17º lugar na lista da Billboard.
Nota 3 – Em entrevista ao canal de TV A&E, Liza Minelli afirmou que “New York, New York” foi oferecida primeiramente ao ator Robert De Niro, que recusou cantá-la, pois achou a canção “muito fraca”.
Nota 4 – Saul Bass foi designer gráfico, notabilizando-se pelos créditos de abertura dos filmes de Alfred Hitchcock (1899-1980).
Nota 5 – Em 1993, Sinatra e Tony Bennett regravaram a canção para o álbum Duets. O álbum vendeu 3 milhões de cópias (Disco Triplo de Platina) só no lançamento. Sinatra chamava New York, New York de “o Hino”. A partir de 1980 passou a encerrar seus shows com ela. Em várias ocasiões Sinatra chamou Liza Minelli ao palco para cantá-la com ele.
Nota 6 – A canção ficou tão associada à cidade de Nova York que é interpretada em todas as cerimônias de formatura da academia de polícia de Nova York. É cantada por toda a torcida do Yankees, um time de baseball, ao final de cada partida.
Nota 7 – Em New York, New York, Sinatra usa um recurso musical chamado rallento. Quando canta pela segunda vez “These little town blues...” Sinatra arrasta a voz e muda o tempo musical, causando um breve descompasso entre sua voz e a orquestra. O efeito é imediato: aplausos. Os cantores de ópera usam e abusam do recurso.
Nota 8 – Quando Antonio Carlos Jobim fez 50 anos, em janeiro de 1977, Sinatra não tinha o número de telefone de Jobim, mas queria parabenizá-lo. Telefonou para o jornal "O Globo", no Rio de Janeiro, e deixou recado.

domingo, 11 de setembro de 2011

Empire State Of Mind (Parts I and II) - Jay-Z & Alicia Keys (2009 - 2010)



O rapper Jay-Z (Shaw Carter) e a cantora Alicia Keys compuseram – cada a sua maneira – um tributo à cidade na qual nasceram: Nova York. Os parceiros no trabalho foram Angela Hunte, Janet Sewell-Ulepic, Burt Keys, Alexander Shuckburg e Sylvia Robinson.
Se, por um lado, os versos do rapper são ousados, exagerados e abusam do uso de palavrões; o refrão criado por Alicia serve de contraponto. Jay-Z procurou rimar o cotidiano das ruas (lugares típicos da cidade, drogas, polícia, prostituição e gíria dos guetos). Teve a ousadia de nos versos iniciais de dizer: “Eu sou o novo Sinatra”. Não é, mas gabar-se de algo é lugar-comum nas letras de rap.
Alicia tomou emprestado um riff de piano da canção “Love On a Two-way Street” do grupo The Moments, composição dos anos 1970. Mas a parte de Alicia não estava pronta. Ainda assim foi mixada à salada de palavras de Jay-Z. A canção entrou no álbum “Blueprints 3”, de Jay-Z, lançado em 8 de setembro de 2009. O resultado foi um impressionante sucesso de vendas, execução nas rádios e downloads. O álbum recebeu da RIAA um triplo disco de platina (3 milhões de cópias). A canção venceu o Grammy Awards de melhor Rap do ano. Alcançou o primeiro lugar da Billboard e ficou entre as Top 10 em diversos países da Europa.
Sobre a composição, Jay-Z disse:
“É sobre esperança. Penso que é isso que a conecta com as pessoas”.


Mas Alicia estava determinada a terminar sua canção e esperava novamente a colaboração de Jay-Z.
Ele não apareceu e o resultado é uma composição completa e bastante melódica. Deu o nome de “Broken Down”, porém o nome “Empire State of Mind (PartII)” ficou consagrado. A faixa faz parte do álbum “Stripped”, lançado em 22 de fevereiro de 2010. O resultado foi igualmente bem recebido pelo público e novo sucesso de vendas.
E sobre a canção, Alicia disse:
“Eu nasci e cresci em Nova York. Estava ansiosa em terminar a canção e dar a minha visão da cidade”.

Notas Fora da Pauta (Notes Out The Musical Score)
Nota 1 – O título “Empire State of Mind” é uma junção do nome do maior prédio de Nova York, o Empire State Building e a composição de Billy Joel, “New York State of Mind”, já comentada neste blog em 3 de maio de 2011: http://www.phonopress.com/2011/05/new-york-state-of-mind-billy-joel-1975.html
Nota 2 – Riff é um conjunto de acordes (conjunto de pelo menos 3 notas) ou notas sequenciadas que ao serem executadas repetitivamente dão personalidade a uma canção.
Nota 3 – Alicia Keys, gentilmente, deu crédito a Jay-Z em “Broken Down”.
Jacy Dasilva

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

I'll Be Seeing You - Frank Sinatra (1961)



I’ll Be Seeing You  (Eu verei você)
In all the old familiar places  (Em todos os velhos lugares conhecidos)
That’s this heart of mine embraces  (Que esse meu coração abraça)
All day through  (O dia inteiro)
In that small café  (Naquele pequeno café)
The park across the way  (No parque logo em frente)
The children’s caroussel  (No carrossel das crianças)
The chestnut tree  (No pé de castanha)
The wishing well  (Na fonte dos desejos)

I’ll be seeing you  (Eu verei você)
In every lovely, summer’s day  (Em cada dia lindo de verão)
And everything that’s bright and gay  (E em tudo que é alegre e feliz)
I’ll always think of you that way  (Eu sempre vou me lembrar de você assim)
I’ll find you in the morning sun  (Vou te encontrar no amanhecer)
And when the night is new  (E quando a noite cair)
I’ll be looking at the moon  (Vou olhar para a lua)
But I’ll be seeing you  (Mas eu verei você)
 

A composição de Sammy Fain (1902-1989) e Irving Kahal (1903-1942) foi escrita em 1938 para um musical da Broadway chamado Royal Palm Revue. O espetáculo fracassou, mas deixou uma das canções mais significativas da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) – “I’ll Be Seeing You”.
Embora tenha sido gravada por Bing Crosby (1903-1977), Jo Sttaford (1917-2008), Billie Holiday (1915-1959), as gravações feitas por Frank Sinatra (1915-1998) foram as de maior sucesso e conferiram longevidade à canção.
A letra da canção nos remete à lembrança de alguém que está longe ou falecido. Por causa disso, ficou associada à partida de soldados para a Segunda Grande Guerra e a esperança de que eles voltassem vivos. Ao mesmo tempo, serviu para homenagear todos aqueles que nunca voltaram do conflito.
Sinatra gravou a canção 3 vezes.
Foto: http://www.amazon.com/
Foto: http://www.amazon.com/
A primeira, em 1940, pela Columbia Records, no período em que fora vocalista da orquestra de Tommy Dorsey (1905-1956). Foi um dos primeiros sucessos de Frank. Os arranjos são de Paul Weston (1912-1996). A gravação pode ser encontrada no álbum “I’ll Be Seeing You” (Sony/BMG), 1994. Os três albuns permanecem em catálogo e podem ser encontrados em lojas online.

Foto: http://www.amazon.com/

A terceira, pela sua própria gravadora, a Reprise Records, em homenagem a Tommy. Pode ser encontrada no álbum “I Remember Tommy”, 1961. Os arranjos são de Sy Oliver (1910-1988).
Porém, a segunda, de 1961, com arranjos de Axel Stordhal (1913-1963), é considerada definitiva. Está incluída no álbum “Point Of No Return” (Capitol-EMI), 1961.
Notas Fora da Pauta (Notes Out The Musical Score)
Nota 1 – Um filme de 1944 chamado “I’ll Be Seeing You” reforçou o sentimento nostálgico do período da Grande Guerra.
Nota 2 – A composição foi usada para homenagear os atores falecidos no ano de 2008, na entrega dos Academy Awards. A cantora e atriz Queen Latifah interpretou magnificamente a canção.
Nota 3 – A gravação de Sinatra para a Capitol Records ocorreu em 11 de setembro de 1961.
Em memória de Maria Cordeiro Gomes (15 de agosto de 1915 - 3 de setembro de 2001), minha avó.
*O autor se desculpa por não saber colocar legendas no vídeo. As fotos do vídeo foram coletadas nos sites G1, Time/CNN, Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. Desconheço o crédito dos fotógrafos. Pedidos de retirada serão aceitos.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Rhapsody In Blue - George Gershwin (1924)


Poucas composições – clássicas ou não – descrevem tão bem o espírito de Nova York como “Rhapsody in Blue” de George Gershwin (1898-1937). A correria, verticalização da cidade no início do Século XX, competitividade, o destino de imigrantes com a esperança de vencer na maior cidade do mundo: tudo pode ser percebido na obra-prima.
Foto: Agência O Globo
Como tudo em Nova York, “Rhapsody in Blue” foi feita às pressas. O maestro e líder de orquestra, Paul Whiteman (1890-1967) encomendou uma composição a Gershwin: uma obra para piano e orquestra que fundisse elementos da música erudita com o Jazz. Ele teve apenas 5 semanas para isso.
E por que a pressa? Vários cantores e jazzistas haviam apresentado experimentos com a fusão dos estilos e, em particular, uma banda concorrente de Whiteman estava pretendendo fazer justamente um concerto para piano e orquestra. Whiteman poderia não ser o primeiro, mas queria ser o mais ousado. E foi. Reservou o Aeolian Hall, Nova York, para a noite de 12 de fevereiro de 1924, para o concerto chamado “An Experiment in Modern Music” (Um experimento em música moderna). Mas havia um problema: não havia uma linha de música escrita sequer.
Aos 26 anos, George Gershwin tinha apenas um sucesso conhecido, a música “Swanee”, interpretada por Al Jolson (1886-1950). O irmão Ira (1896-1983), letrista da na maioria de suas composições participou dando o nome definitivo “Rhapsody in Blue”, por causa de uma exposição de pinturas numa galeria de arte em Nova York.
Durante uma viagem de trem entre Nova York e Boston, Gershwin começou a compor. O som da locomotiva, dos trilhos, dos apitos, das paradas e o barulho das cidades e do metal – tudo contribuiu para a obra.
Anotou suas primeiras notas em 7 de janeiro de 1924 como um concerto para dois pianos. Os arranjos para a orquestra de metais e a sessão de cordas foram escritos por Ferde Grofé (1892-1972) e ficaram prontos uma semana antes do espetáculo. Grofré ousou em colocar um saxofone (instrumento que não faz parte de uma orquestra sinfônica) e no uso excessivo da surdina dos metais.
O próprio Gershwin tocou sua obra para piano, acompanhado da banda de Paul Whiteman e cordas. Fato é que George Gershwin não havia escrito toda a parte para piano. Ele improvisou na estreia, ao vivo e para convidados ilustres, como os compositores John Philip-Sousa (1854-1932), Rachmaninoff (1873-1943) e da crítica especializada.
Apesar das críticas desfavoráveis, os compositores e maestros logo passaram a querer cópias das partituras e, com o passar dos tempos, foi incorporada às execuções em salas de concerto pelo mundo inteiro. E sem exagero, é uma das composições que mudou o curso da história da música.
“Rhapsody in Blue” trouxe respeitabilidade ao Jazz e renovou o repertório clássico.

Notas Fora da Pauta (Notes out of score musical)
Nota 1 – Na abertura, o clarinete executa as primeiras notas glissando (aumentando e diminuindo o volume das notas executadas). A ideia foi de Ross Gorman, clarinetista da banda de Paul Whiteman.
Nota 2 – Rapsódia é o termo musical empregado para designar obras musicais de apenas um movimento e sem estrutura musical rígida, permitindo improvisos.
London Festival Orchestra, Decca, 1966
http://www.amazon.com/
New York Philharmonic, Sony, 1990
http://www.amazon.com/
Nota 3 – Paul Whiteman gravou a obra em disco e vendeu mais de 1 milhão de cópias de “Rhapsody in Blue”. Esta e outras gravações podem ser encontradas em lojas online. As preferidas deste autor são as gravações de Stanley Black (1913-2002) com a London Festival Orchestra, 1966 (Decca) e de Leonard Bernstein (1918-1990) e a New York Philharmonic, 1990 (Sony Classical).

Nota 4 – George Gershwin e seu irmão Ira deixaram um extenso songbook, explorado por intérpretes até os dias de hoje.
Nota 5 – “An American in Paris” e “Porgy & Bess”, obras de Gershwin, serviram para estabelecê-lo como compositor clássico, apesar da morte prematura aos 38 anos.
Nota 6 – A obra traduz com perfeição o “American Way Of Life”.
Jacy Dasilva