segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Som – 4 Conceitos Básicos


Pode parecer desnecessário descrever ou explicar as definições para os termos técnicos mais básicos de gravação e reprodução.
Muitas vezes ouvimos de alguém ou lemos artigos que ainda confundem os conceitos de som estéreo com a alta-fidelidade.
Certo dia, ouvi alguém dizer que o som estéreo era a mera divisão dos sons graves e agudos entre os canais direito e esquerdo nos alto-falantes.
Não é.
Vou tentar ser breve nas definições.

Hi-Fi (High Definition) – A alta-definição ou Hi-Fi é o que o próprio nome anuncia: o conjunto de todos os meios disponíveis para captar, gravar e reproduzir o som da maneira mais próxima possível da realidade.
Às vezes é confundido com a definição de estéreo; não é.
Um som pode ter sido gravado nos melhores padrões técnicos possíveis e ser reproduzido em mono. Sim, podemos ter o Mono-Hi-Fi em LPs, CDs, DVDs e filmes.
Se você tem algum CD com gravações históricas de antigas Big Bands, lendas do Jazz, sabe que a tecnologia dos anos 30 para gravação e reprodução sonora não é a mesma que temos atualmente.
Os discos em alta-fidelidade tiveram que esperar o final da Segunda Guerra Mundial para serem lançados.

Mono ou Monofonia – Historicamente, foi o primeiro sistema de som. Uma parte significativa da discografia mundial está gravada no formato mono.
Os clássicos do cinema, também.
Mono é a escuta sem a divisão espacial, natural ao ouvido humano. Nós conseguimos distinguir ao mesmo tempo o som vindo pelo ouvido direito e esquerdo. Nas gravações mono ou monaural, temos toda a fonte sonora gravada num único canal. O som do telefone, interfone, celular é mono.
O melhor e mais duradouro som mono é o rádio.
Num filme temos, classicamente, três trilhas reservadas para os sons. Pela ordem: diálogos, som ambiente e trilha sonora. Mas se a transmissão do cinema não fizer a leitura individual dos canais e a sua reprodução em fontes separadas, teremos o som mono. E ouvimos muito mais som mono do que pensamos.
Como assim?
Isso mesmo. Boa parte dos filmes até os anos de 1980 eram lançados nos cinemas em mono.
Os cinemas tinham caixas de som atrás da tela para que pudéssemos ter a sensação real dos diálogos vindo da mesma origem que as imagens, mas era tudo mono. Se o cinema fosse maior e melhor, possuía caixas nas laterais da sala de projeção, mas o som do filme era o mesmo em qualquer lugar do cinema, sem a noção de espacialidade ou profundidade.
Boa parte das filmadoras atuais (nem vou lembrar do 8, Super-8, VHS e outros) ainda realiza a gravação do som em mono, embora a qualidade da imagem esteja cada vez melhor. Porém, o som mono atualmente tem alta-fidelidade.
Finalizando, o sistema mono não é ruim; é limitado apenas.

Estéreo – É a gravação e reprodução sonora que imita a audição humana. A definição é simples, mas para que tivéssemos um som realmente estéreo em nossa casa: rádio, LPs, CDs, DVDs e outros foram necessários décadas de espera.
O som estéreo foi inventado e patenteado por um engenheiro britânico, Alain Blumlein (1903-1942), em 1931 especialmente para a gravadora EMI. O projeto ficou engavetado. O mesmo Blumlein tem cerca de 200 patentes em seu nome, incluindo o radar.
O som estéreo capta o som através de vários microfones até uma mesa com vários canais de entrada. Cada microfone ocupa uma ou mais “pistas” de som. A mixagem das fontes leva em consideração a posição dos músicos, do cantor ou cantores,  e o poder sonoro de cada instrumento e da voz gravada. O produto final é estéreo quando consegue reproduzir o som original em sua amplitude (do ouvido direito ao esquerdo e todos os sons entre eles) e sua profundidade.
Uma sinfonia gravada num teatro ou estúdio (não importa aqui a mídia) ao ser ouvida deve reproduzir com fidelidade o mesmo som do teatro ou estúdio.
O piano tem as notas mais graves à esquerda do teclado e as mais agudas no lado direito. Ao gravarmos o instrumento esperamos a mesma característica.

Quadrifonia – Um experimento caro. A quadrifonia é o ancestral dos atuais sistemas estéreo multicanais (2.1, 5.1 e até 7.1).
A quadrifonia codificava o som estéreo que já conhecemos e adicionava canais traseiros contendo as reverberações ou ecos dos canais direito e esquerdo.
Os LPs tinham um selo escrito “Quadrifônico” e para sua reprodução eram necessários toca-discos e amplificadores específicos. Bom, você precisava ter quadro caixas acústicas e deveria estar posicionado no centro das mesmas.
Era caro demais, mas funcionava.
O disco mais famoso gravado no formato quadrifônico é “The Dark Side Of The Moon”, do Pink Floyd, 1973.

Notas Fora da Pauta

Nota 1 – Nos Estados Unidos, estéreo é sinônimo do próprio aparelho de som. Do mesmo jeito que nós, brasileiros, chamamos de gilete a lâmina de barbear.

Nota 2 – Nos anos 60 e 70, aqui no Rio, Hi-Fi era sinônimo de festas embaladas ao som de toca-discos.
Era comum ouvir: “O Hi-Fi de sábado estava ótimo!”.


Jacy Dasilva

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