quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

John Lennon – 30 anos de seu assassinato

Foto: Camera Press/Bob Gruen. Fonte: O Globo online
Em 9 de outubro de 1980, Yoko Ono encomendou um presente especial para comemorar os 40 anos de seu marido, John Lennon: um avião sobrevoou o Central Park, soltando fumaça e desenhando no céu mensagens de feliz aniversário.
O casal estava animado com o lançamento de um novo álbum, “Double Fantasy”.
O lançamento da faixa “Starting Over” encerrava o jejum musical de 5 anos de John Lennon. O compacto logo alcançou os primeiros lugares de audiência e vendas, nas rádios e lojas de todo o mundo.
As críticas favoráveis e os comentários de que a canção remetia ao estilo de Elvis e Gene Vincent eram verdadeiras. “Starting Over” é um bom rock, de construção melódica básica, simples e com vocais duplicados. A música transmite a mensagem de recomeço amoroso aos casais maduros.
Aquele rock causava certa estranheza porque o gêneros dominantes nas FMs eram o funk (o clássico), o reggae (a última moda) e resquícios da disco music.
“Starting Over” tocou, agradou e John iniciou uma maratona de entrevistas. Com apenas uma música conquistou novos fãs e resgatou seus velhos admiradores do tempo dos Beatles e de sua carreira solo.
“Double Fantasy”, o álbum, saiu em no início de novembro, mas havia ainda trabalho de estúdio a ser feito porque John e Yoko já trabalhavam num segundo disco.
Em 8 de dezembro de 1980, John Lennon e Yoko Ono saíram do Edifício Dakota, endereço chique da rua 72, em Nova Iorque, conversaram com fãs, tiravam fotos e deram autógrafos.
John foi fotografado assinando um disco para um fã que da porta do prédio não saiu quando a limousine partiu levando o casal Lennon.
Ele esperou a tarde toda.
John e Yoko foram ao estúdio Hit Factory e deram uma longa entrevista a uma rádio local, a RKO. Na entrevista, John estava relaxado, fazendo brincadeiras e mostrava um otimismo nunca visto antes, não apenas com sua vida, mas com os vindouros anos 80.
Recontou sua trajetória musical, explicou seu ativismo político e reafirmou suas convicções num mundo melhor. Naquele ponto da vida, já havia feito as pazes com sua história e velhos desafetos.
Após a entrevista, John e Yoko voltariam juntos para casa pela última vez. Ela até queria jantar fora, mas John ainda queria ver o filho Sean, de 5 anos, acordado.
Mark David Chapman viajou do Havaí até Nova Iorque com uma missão: matar John Lennon. O carro estacionou, o casal passou pelo sujeito à espreita. Este chamou por John e atirou 5 vezes, pelas costas.
Foi o sujeito que John autografou o disco e tirou fotos com ele que o matou.
Um fanático assassinou John Lennon.
Sua morte trouxe luto ao mundo, sobretudo à geração que acreditava no poder quase subversivo das canções que pregavam a Paz e o Amor.




E o mundo chorou.
Quem foi essa pessoa?


John Winston Lennon
John Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940, numa cidade portuária da Inglaterra, Liverpool, constantemente atacada pela aviação nazista. Calcula-se 5 mil mortes atribuídas aos ataques apenas na cidade.
Sim, ele já nasceu numa guerra. E cedo conviveu com o front de sua própria família.
John Lennon foi fruto de uma relação casual e sempre fizeram questão que soubesse disso, mesmo sem ter idade para elaborar muitas verdades que cercavam sua vinda ao mundo.
Seu pai, Alfred Lennon (1912-1976) era um marinheiro desertor na Segunda Guerra Mundial. Julia Stanley (1914-1958), mãe de John, era uma mulher que achava que a adolescência era eterna.
O casamento durou pouco.
John passaria vários anos culpando a guerra pela separação conjugal, negando a imaturidade dos pais.
Ambos tinham amantes de conhecimento público e John não era poupado das bebedeiras, de constrangimentos diversos e ainda dividia a cama com sua mãe e amantes. As biografias ainda mencionam a falta de alimentação regular.
Sua mãe engravidou de um amante, levou a gestação adiante e entregou uma menina para a adoção.
As brigas físicas entre os pais, avós maternos, paternos e cunhados despertavam a atenção da vizinhança e da polícia. E John assistia.
Passou temporadas em casas de vários parentes: era uma criança indesejada.
Ele foi órfão de pais vivos. Parece personagem do escritor Charles Dickens, mas foi de carne e osso.
E isso é apenas um resumo de sua primeira infância: uma boa coleção de fatores que levam à delinquência.
A rebeldia, com causas e motivos, nasceu em sua família.
Nos primeiros anos de escola, a dislexia e, principalmente, a agressividade verbal de John foram motivos de preocupação entre seus professores.
O menino tinha a língua afiada.
A irmã de Julia, Mary, acionou o serviço social britânico algumas vezes e, para que John não fosse enviado a orfanato, assumiu sua criação.
Mary é a famosa “Tia Mimi” (1906-1991), que não mediu esforços para dar um lar digno e educação àquela criança. Ela era o extremo oposto de sua irmã Julia: casada, religiosa e extremamente rigorosa.
Por conta da dislexia, foi inundado de livros.
John Lennon deu trabalho. Ele não seguia regras.
Dos primeiros anos escolares até a Liverpool School of Art, John teve um comportamento desafiador com colegas e professores.
Tia Mimi e o marido George deram a John o lar que toda criança necessita, além de educação. Ainda assim, seu pai Alfred o sequestrou, com intenções de levá-lo para a Nova Zelândia.
Tia Mimi chamou novamente a polícia, John foi encontrado e voltou para a casa.
Alfred Lennon só reapareceu na vida de John quando este já era um beatle  e para pedir dinheiro.
A mãe voltou a visitá-lo com certa regularidade no início da adolescência de John.
Ela ao menos tentou ser mãe.
É creditada a Julia a apresentação de John à música de Elvis Presley e a compra de um violão.
O tio George ensinou os primeiros acordes, além de incentivá-lo a desenhar e pintar. Ele morreu quando John tinha 13 anos.
Aos 17 anos, John perde a mãe, atropelada por um policial bêbado.
A ausência, a volta e a perda definitiva de Julia marcariam John definitivamente.
Tia Mimi fez o possível para que John não seguisse a carreira musical, que considerava sem futuro. E adiantaria se opor?
A música foi a forma saudável e possível de dar vazão e expiar os abandonos e às sucessivas perdas.
John chamou amigos para montar uma banda, ainda que quase nada soubessem de música. “Tiravam” acordes ouvindo discos de seus ídolos: Elvis, Chuck Berry, Little Richard e Fats Domino.
Vieram as amizades e as bandas, “The Quarrymen”, e depois, “The Beatles”.
John identificou-se com Paul McCartney, pois este aos 13 anos perdera a mãe para um câncer de mama. Paul traz George Harrison. Ringo Starr, o mais velho de todos, chegou por último.
John Lennon namorou, engravidou e casou com Cynthia Powell, um modelo de bom comportamento. Ela é a mãe de Julian Lennon, nascido em 1963.
Com o sucesso inicial dos Beatles, John paga a hipoteca da casa de tia Mimi e mantém seu sustento até morrer.
O sucesso dos Beatles é apontado como motivo para o fracasso do casamento com Cynthia. Mas o próprio John, com sucessivas traições acabou com o relacionamento. Ao juiz, Lennon alegou a infidelidade da mulher como razão para o término.
Ele não acreditava nos relacionamentos afetivos nessa altura da vida. Duvidava que alguém pudesse amá-lo. Traía antes que o traíssem ou o abandonassem.
Sua infância  e juventude explicam as contradições e comportamentos controversos que seguiriam John por toda a vida.
Em 1963, numa apresentação no Royal Variety Show, com a presença da rainha Elizabeth II, John se dirige à platéia e diz:

“Quem estiver nos lugares mais baratos, batam palmas; os outros, nos assentos mais caros, apenas sacudam suas joias”.

A imprensa se deleitava com essas e outras tiradas, nem sempre felizes.
Em 1966, John provocou a ira dos americanos – incluindo a Ku Klux Klan -  ao dizer:

“O cristianismo vai acabar. Somos mais populares do que Jesus Cristo agora”.

Radialistas, pastores e políticos americanos convocaram as pessoas a quebrarem e queimarem discos dos Beatles. Fogueiras foram fotografadas e filmadas em locais previamente anunciados pela mídia.
O empresário Brian Epstein, basicamente pai do grupo inteiro, comete suicídio em 1967.
Mais uma perda, não apenas para John, mas para todos.
Foi o início do fim.
John inicia carreira solo em 1968 e já não tem a mesma identificação com o grupo criado por ele.
No mesmo ano, uma batida policial apreende maconha na casa de John. Em verdade, o apartamento era de Ringo, emprestado ao casal. Ele assume a posse da droga, é condenado e paga uma multa.
Os Beatles terminaram oficialmente em 1970. Entre 1962 e 1969 produziram 13 álbuns e mudaram a cultura para sempre.
“A cada geração, os jovens descobrem os Beatles à sua maneira. E isso vai continuar. Vai sim.”
George Martin, o quinto beatle, em 2006

Yoko Ono
Nasceu em Tóquio, 1933. Sua família era abastada e freqüentou os melhores colégios no Japão. Seu pai era banqueiro. Yoko fez seus primeiros estudos de artes plásticas e música ainda no Japão.
É um clichê psicanalítico: filha de pais ricos que escolhe a carreira artística.
Sua família atravessa a Segunda Guerra incólume e, em 1952, Yoko vai para Nova Iorque estudar artes, incluindo piano clássico e canto.
Começa a construir sua reputação como artista de vanguarda de estilo provocativo.
Ela é uma das precursoras da arte performática e das chamadas instalações.
Sua tradicional família lhe impõe um casamento arranjado.
O matrimônio durou de 1956 até 1961. Foi internada pelos pais em instituição psiquiátrica.
Do envolvimento com outro artista, o americano Antony Cox, veio outro casamento e gerou uma filha, Kyoko.
Yoko Ono começa a ter sucesso com suas obras de vanguarda e viaja com suas exposições para várias cidades ao redor do mundo. Numa das viagens, chega à Londres como artista respeitada.
Quando Yoko conheceu John Lennon em 1966, os casamentos de ambos já estavam fracassados. Apaixonaram-se numa galeria de arte.
A separação oficial de Anthony Cox ocorreu em 1969. A custódia de Kyoko foi dada à mãe, Yoko.
Em 1971, o ex-marido sequestra a filha e viaja para os Estados Unidos.
John promete a Yoko trazer sua filha de volta e viajam para Nova Iorque.

New York City
John e Yoko chegaram a Nova Iorque e contrataram detetives particulares e advogados em busca de Kyoko.
Em 1971, Richard Nixon, republicano, comandava a maior nação do planeta. Os Estados Unidos estavam atolados na Guerra do Vietnã.
Em 1972, os jovens entre 18 e 21 anos votariam pela primeira vez para presidente. Isso mesmo, até 1972 apenas os maiores de 21 votavam para presidente.
Era a Guerra Fria.
O mundo estava dividido em zonas de influência americana e soviética.
A paranóia americana de que qualquer parte do planeta se tornasse comunista criou e sustentou várias ditaduras de direita ao redor do mundo, após a Revolução Cubana, em 1959. O Brasil entrou nessa em 1964.
A chegada do casal Lennon a Nova Iorque não passou sem a atenção do governo Nixon.
O poder de influência de Lennon - em solo americano - no eleitorado jovem foi minuciosamente estudado e temido.
As declarações e manifestações pacifistas de Lennon, ainda no tempo dos Beatles, foram estudadas pela direita americana. Nixon ambicionava a reeleição.
Composições como “Give Peace a Chance”, “Come Together” e “Revolution” influenciaram manifestações de paz ao redor do mundo.
Vale lembrar que a primeira transmissão televisiva mundial, via satélite, foi a performance ao vivo de “All You Need Is Love”, em 1967.
Nixon e assessores enxergavam  Lennon como um adversário pessoal e trataram de vigiá-lo.
A imprensa americana convidou o casal para entrevistas nas quais não escondiam o desejo de convocar manifestações pelo fim da Guerra do Vietnã.
Naquele tempo, usar a frase “Paz e Amor”, especialmente à mídia era o equivalente a assinar ficha em partido comunista.
O casal apoiou financeiramente todos os movimentos pacifistas e de liberdades civis que encontraram pela frente. John Sinclair, Jerry Rubin e Tom Hayden foram amigos. Ao apoiar mais radical de todos os movimentos, Os Panteras Negras, Lennon foi considerado um inimigo do estado, oficialmente.
Elton John e Eric Clapton também deram dinheiro aos Panteras Negras, mas não foram incomodados.
O governo Nixon não tolerava discordâncias. E mandou recado:

“Quando alguém no ‘show business’ comparece e participa de protestos políticos, essa pessoa – ele ou ela – estão fazendo algo que demanda muito sacrifício e até risco pessoal”.
 Richard Nixon, presidente americano entre 1968 e 1974.

O FBI, ainda liderado por Edgar Hoover, grampeou os telefones do Edifício Dakota, residência do casal. O mesmo Hoover havia participado ativamente da expulsão de Charles Chaplin, outro inglês, na década de 50.
Agentes seguiam John e Yoko em toda a parte.
Estes, em contrapartida, contrataram um ex-agente do FBI como segurança particular, que repetidas vezes alertou para a vulnerabilidade do Edifício Dakota.
Ele tinha razão.
John e Yoko não se intimidaram e prosseguiram fazendo shows, bancados por eles próprios. Conseguiram libertar John Sinclair (ativista preso em 1969, condenado a 10 anos) um dia após o show de 10 de dezembro de 1971. Stevie Wonder, Bob Seger e outros artistas também se apresentaram.
Em várias entrevistas, o casal Lennon comunica a vigilância e as ameaças que recebem.
John Lennon nunca foi comunista ou antiamericano. Pelo contrário, amava o país, especialmente a cidade de Nova Iorque.
Nunca foi anarquista, tampouco pretendia derrubar governos. Estava, como muitos de sua época, engajado nos movimentos de direitos humanos e contra a Guerra do Vietnã.
Ainda na Inglaterra manifestou-se contra o apoio britânico ao conflito e ausência de interferência internacional na Guerra de Biafra, país que tentou entre 1967 e 1970 a independência da Nigéria. Foram massacrados.

“Se eu canto ‘She Loves You’, milhares escutam. Se canto ‘Give Peace a Chance’, também”.
 John Lennon

Nixon usou toda a máquina do governo para tentar neutralizar Lennon. Um senador republicano mandou para Nixon, ou melhor, para seu chefe de gabinete, uma boa notícia: por que não expulsar John Lennon dos Estados Unidos pela condenação por posse de maconha em 1968, em Londres?
         Uma nota do autor: os chefes de gabinete recebem as correspondências endereçadas  aos chefes de estado ou de governo. Por quê? Para que os chefes do executivo sempre possam dizer: “Eu não sabia de nada”. Familiar?
Começava o longo e custoso processo contra a deportação.
O governador, o prefeito de Nova Iorque e o jornal The Wall Street Journal defenderam abertamente o casal.
John Lennon, entre 1971 e 1975 produziu e lançou 6 álbuns, contendo o melhor daquilo que sabia fazer: letras ácidas em melodias simples, sem metáforas.
Foi o tempo do rock-combate. Mas havia lirismo e desabafos – da infância ao período beatle.
São inúmeras as canções que traduzem, ainda hoje, os sentimentos básicos da humanidade e o desejo de uma sociedade harmônica. Seu trabalho permanece atual.
Na música “God” (John Lennon & The Plastic Ono Band) destrói todos os mitos de sua vida. Afirma não acreditar em Deus ou Jesus. Mas é fotografado usando um crucifixo. Veja a famosa foto acima. No mesmo ano, lançou “Happy Xmas”, uma canção natalina. E disse:

“Somos todos Cristo e Hitler. Tentamos fazer contemporânea a mensagem de Cristo. Queremos que Cristo vença. O que ele teria feito se tivesse propaganda, TV, discos, filmes e jornais? O milagre atual é a comunicação.
Então, vamos usá-la”.

Entender Lennon é aceitar as contradições e conflitos humanos.
Os jovens de sua época criaram uma identificação imediata com seus discos.
Os políticos democratas também.
Em “Mother”, grita pela morte da mãe e pede a volta do pai. A faixa foi fruto de seu tratamento psiquiátrico – nada tradicional – a terapia do grito primal.
Em, 1972, no auge dos protestos contra a Guerra do Vietnã, lançou “Imagine”, hino pacifista em qualquer época. A música oferece uma utopia e convida o ouvinte a imaginá-la.
Os discos de Lennon eram o oposto dos trabalhos dos outros três ex-beatles, que primavam pelo tradicionalismo.
Lennon entregou-se ao experimentalismo nos estúdios. Seus álbuns, de gravações consideradas até pouco profissionais ou apressadas, tinham como objetivo a mensagem. Os encartes com as letras foram essenciais para isso. Muitas letras tinham um * como censura aos termos menos polidos.
O público e a crítica aplaudiram o poeta seco, cru e direto.
Para muitos, Lennon era um ativista quase quixotesco. E às vezes parecia mesmo.
Suas argumentações impressionavam pela simplicidade e convicção. Era quase impossível superá-lo num debate.
No mesmo ano Lennon alugou o Madison Square Garden e fez um misto de show e comício. Ao término, o público saiu do ginásio e marchou pelas ruas de Nova Iorque cantando “Give Peace a Chance”, pedindo o fim da guerra.
Em 1972, Nixon foi reeleito. Em 1974, renunciou após sua comprovada participação na espionagem da sede do partido democrata em Washington – o caso Watergate.

Jealous Guy
Mas Lennon tinha que aprontar.
Em 1973, John traiu Yoko numa festa. O casal se separou. John foi para Los Angeles e consumiu mais drogas que nunca. Paul McCartney ajudou John a largar a cocaína e reaproximou o casal.
A volta ocorreu em 1974, num show do amigo Elton John. O próprio Elton convidou Lennon ao palco e Yoko para o show.
Em 1975, a Guerra do Vietnã acabou de vez.
Em 9 de outubro, nasceu seu filho com Yoko, Sean. Ainda no mesmo dia, seu advogado, comunicou que o casal Lennon vencera a batalha pela permanência nos Estados Unidos.
Elton John é o padrinho de Sean Ono Lennon.
John lançou “Rock’n Roll”, um álbum de homenagens aos seus ídolos de juventude: Elvis Presley, Chuck Berry, Fats Domino, Gene Vincent, Little Richard e outros. A faixa mais conhecida é “Stand By Me” de Ben E. King.
A partir daí, John Lennon retirou-se da vida de discos, shows e protestos. Entre 1975 e 1980, John cuidou de seu filho Sean. Largou tudo para ser pai e criar uma família – o que sempre lamentou não ter tido.
Recebia amigos, reatou laços com todos que brigara no passado, mas não parou de compor ou ler jornais. Sim, ele nunca se alienou. São inúmeras as fotos de John deitado em sua cama e rodeado de jornais.
Em casa, registrava novas composições num gravador cassete.
Uma pena que não tenha feito o mesmo com um gravador de rolo, menos amador e tão comum nos anos 70 do século passado.
Yoko, filha de banqueiros, foi cuidar da vida financeira do casal. Depois de doar muito dinheiro, gastar com advogados, processos, shows e discos, a fortuna pessoal de John era pequena. Yoko investiu o dinheiro e comprou imóveis para John. Ele quase nada tinha em seu nome.
Mas em 1980, o casal decidiu voltar a fazer discos. Felizmente, John e Yoko, buscaram maior qualidade técnica.   





Working Class Hero
Foi pelo Lennon, pacifista militante, que o mundo chorou em 8 de dezembro de 1980.
Conseguiu se libertar do estigma beatle e construiu uma carreira musical própria e original.
Acabou com o sonho para ver a realidade, viver seu grande amor e o mundo que conheceu.
Lennon, ao contrário de muitos de sua geração, não morreu dos excessos em álcool ou drogas.
A morte violenta, por assassinato, pelas mãos de um fanático, foi chocante para o mundo inteiro.
Ainda não temos outro Lennon, nem teremos. Uma pena.
Hoje, temos artistas engajados em causas ambientais, pacifistas, a favor de todas os temas politicamente corretos. Temos até artistas colecionadores de órfãos. Tudo estrategicamente pensado pelos departamentos de propaganda e imagem pessoal dos artistas.
Não temos ninguém que seja tão "anti-establishment" como John Lennon foi. E precisamos. O mundo piorou bastante desde 1980.


Get Back
Se você leu até aqui, já deve ter esquecido algo.
E Kyoko?
Afinal, a procura por uma criança foi o motivo da ida de John e Yoko para Nova Iorque.
Kyoko foi sequestrada pelo pai  e levada para uma das muitas comunidades de cristãos fanáticos existentes nos Estados Unidos, daquelas que evitam o
contato com o mundo exterior.
Mas a notícia da morte de John Lennon chegou a todos os pontos do planeta.
Ainda na noite de 8 de dezembro, Yoko atende a um telefonema. Sua filha, Kyoko, que não via desde 1971, liga para ela.
The End
Yoko Ono esteve ao lado de John nos shows, protestos, discos e entrevistas. Basta ver os documentários da época.
Yoko fez de John um artista ainda melhor.
A morte de John fez com que os outros beatles aceitassem Yoko. Mesmo que, inicialmente por motivos financeiros, a união de todos pôde ser vista nos anos seguintes. 
Yoko lançou o material inédito de John ao longo das últimas 3 décadas.
Após a morte de John, Yoko cuidou da tia Mimi até seu falecimento em 1991.
Lentamente, Yoko retomou sua carreira como artista plástica. Seus trabalhos ainda chocam.
Yoko mantém uma fundação ambulante, um grande ônibus, que viaja pelos Estados Unidos para ensinar música e técnicas de gravação.
Em 2010, lançou toda a obra de John, em CDs, com qualidade sonora superior aos originais.
O público jovem tem mostrado interesse.
A fortuna de Lennon, administrada por Yoko, dá sustento a muitos familiares de Lennon que sequer o conheceram.
Os filhos Julian, Sean e Kyoko se visitam regularmente.
Lennon nunca atacou a instituição familiar.
John Lennon fez do mundo sua grande família.
Já está na hora do mundo fazer as pazes com Yoko Ono.

Jacy Dasilva
John Lennon, com sua morte, cumpriu a promessa de reunir mãe e filha.

Um comentário:

  1. Excelente texto, Jacy.
    um perfil honesto com o casal e mais ainda com o meu beatle favorito.

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