sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Chico Buarque – 20 CDs

Foto/Divulgação
A partir de amanhã, dia 27 de novembro, os cariocas poderão adquirir em bancas de jornal uma coletânea dos 20 melhores discos da carreira de Chico Buarque no período de 1966 a 2006.
Não apenas CD, é um fascículo ricamente ilustrado e com informações importantes sobre o nosso maior poeta musical. Quer mais? O que sairá neste sábado custará R$ 7,90; os demais, R$ 14,90.
O primeiro é o CD-livro “Chico Buarque”, de 1978 (aquele com Chico e as samambaias ao fundo).
Phonopress  - sempre na vanguarda – já comprou, ouviu, leu, e comenta pra você mais um excelente trabalho de relançamento.
A coleção não se limita ao período da Philips e resgata obras do início de carreira na RGE e os discos produzidos para a Ariola, RCA (atual Sony-BMG) e Biscoito Fino. O volume 12 é dedicado ao raríssimo “Calabar”. O último traz Chico em italiano com arranjos de Ennio Morricone, ícone das trilhas sonoras do cinema.

No disco de 1978, temos uma obra fundamental. Chico usa todos os recursos disponíveis nos estúdios da Philips (16 canais!) para mandar recado ao regime autoritário brasileiro (1964-1985). Era o tempo no qual possuir um disco do Chico mostrava seu posicionamento político, além de cultural.
Geisel comandava as tropas; Chico a oposição e a população de pensamento arejado.
A primeira faixa é a saborosa “Feijoada Completa”. Na segunda, Chico faz o que sempre fez melhor: colocar as palavras mais certas e precisas numa letra. É a faixa “Cálice” (parceria com Gilberto Gil), um libelo contra a tortura. Nela temos Milton Nascimento em dueto com Chico e os vocais inesquecíveis do MPB4.
Outro motivo para comprar é a faixa “Trocando em Miúdos”.
O casamento musical de Chico com o maestro Francis Hime foi a melhor combinação de música e letra da história de nossa música: o mestre das palavras e o mestre dos arranjos e regência.
“Trocando em Miúdos” é o retrato mais fiel e insuperável da dor, ironia e tristeza de uma separação conjugal.
E Francis Hime vestia as letras de Chico com beleza e conhecimento musical que nunca mais se repetiria depois de “Vai Passar” (1984).
O disco ainda tem “O Meu Amor” (Marieta Severo e Alcione), “Homenagem ao Malandro”, a profética “Pivete”, "Pedaço de Mim" com a novata Zizi Possi e outras.
A última é “Apesar de Você” - um samba enredo. Um samba enredo político.
O compacto de 1970 foi proibido e recolhido. A Philips garante que salvou a fita-máster e que no disco de 1978 a gravação é a mesma.
Chico canta ao regime verde-oliva que este não seria eterno – e não foi.

Em 1973 ou 78 ainda vivíamos o período marcado pela pergunta:
“Sabe com quem está falando?”.
No tempo ditatorial era assim. Mas o ranço ditatorial ameaça ressurgir na Alvorada.  
O controle social da imprensa é inconstitucional.

“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.

Jacy Dasilva   

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