sábado, 2 de outubro de 2010

Pedacinhos do Céu - Waldir Azevedo (1951)

Em 1947, Jacob do Bandolim (1918-1969) estava desgostoso porque seus discos não vendiam pela gravadora Continental, cujo diretor artístico era Braguinha, o João de Barro (1907-2006).
Jacob pediu pra sair da gravadora e Braguinha aceitou.
No mesmo ano, a Continental contratou Waldir Azevedo (1923-1980) para seu lugar.
Jacob, inexplicavelmente, não se ressentiu tanto com Braguinha, mas foi crítico feroz de Waldir pela vida inteira.
Jacob do Bandolim não precisava disso, já que seu talento é lembrado até hoje.
Waldir Azevedo, recém-contratado, gravou Brasileirinho e conquistou o país. Em seguida, “Delicado”, com regravações ao redor do planeta.
Em 1951, em homenagem a filha recém-nascida, compôs “Pedacinhos do Céu” - obra-prima instantânea -, que gerou cartas de gravadoras do mundo inteiro perguntando sobre a técnica usada para o registro do bandolim.
Por quê?
A gravação tinha um certo efeito e perguntavam: qual a marca da câmara de eco? O técnico de som respondia às cartas com uma única palavra: Celite.
Isso mesmo, Celite, a famosa marca de azulejos e outras peças de toalete.
O técnico de som colocou um alto-falante no banheiro do estúdio e um microfone no mesmo (além do usado para o bandolim) para capturar o eco dos azulejos e conseguiu o tal “efeito revolucionário”.
A história pode ser contada melhor em livros especializados, ou na recente série da Folha - Raízes da MPB.
O YouTube traz uma regravação, dos anos 60 pela EMI-Odeon - que também tem eco.

Jacy Dasilva


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