quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Masterização e Remasterização


Após a conclusão da gravação de uma obra musical, temos uma fita (digital ou analógica) com os canais correspondentes aos microfones que colocamos durante a sessão. É o resultado multicanal  - mas bruto - de vários instrumentos musicais e voz ou vozes.
Para chegarmos até aí, foram necessários ajustes de volume de entrada para cada instrumento (com suas particularidades sonoras e de captação) e a voz.
Essa gravação não pode ter um volume nem muito baixo, nem muito alto, ou saturado.
Toda essa massa segue para o processo de mixagem, que é o ajuste dos volumes, com ou sem ecos, remoção dos ruídos, realce de vocais ou instrumentos e suas distribuições espaciais. O resultado deve ser um som limpo de cada instrumento, clareza nos vocais e bem distribuídos nos canais direito e esquerdo. Mas essa etapa produz uma fita master que soará bem apenas no estúdio. Para que ouçamos de forma ótima num LP, CD, DVD, rádio ou cinema é que existe a masterização.

Masterização
O engenheiro de master é a pessoa que vai trabalhar na fita multicanal, oriunda do estúdio de gravação e que já passou pela mixagem. O que se faz numa masterização? Prepara-se o conjunto de faixas para a execução – da primeira até a última faixa – com o mesmo volume e impacto sonoro, sem perda de qualidade.
Para cada veículo, seja rádio, CD, ou LP existe uma “receita” de equalização e masterização. Imaginem um LP: uma bolacha de vinil que é sulcada (em cada lado do sulco temos o canal direito e esquerdo) em espiral. No sulco, uma agulha lê as informações sonoras contidas em suas ranhuras, sempre com a mesma massa sonora e qualidade. A primeira faixa é sempre a mais ampla e a última mais curta. Pense bem: como é possível ouvir bem esses dois extremos? Porque a masterização permite a compressão sonora de acordo com o diâmetro da faixa.
A fabricação de LPs exigia uma cadeia de mão de obra qualificada que não temos mais hoje nos tempos digitais. E para os CDs, deveríamos exigir o mesmo capricho.

Remasterização
A remasterização deveria sempre ser o assim: a fita master original ser enviada a um engenheiro de som especializado na conversão digital para que o melhor som saísse de um CD. Mas não é isso o que acontece. Até hoje compramos gato por lebre.
Nos primórdios da fabricação dos CDs, os tapes analógicos que davam origem aos LPs e fitas cassete eram os mesmos usados para gravar os CDs. Por isso, nossos primeiros CDs, dos anos 80, tinham o som baixo e um ruído semelhante aos dos cassetes. E boa parte do que possuímos em CD são fitas cassete de validade indeterminada. Quando muito, foram equalizadas para CD, pois a equalização para LP é diferente.
As gravadoras demoraram a liberar os originais, pós-mixagem (analógicos ou não) para a feitura dos CDs de forma mais profissional – que é a remasterização.
Devido a esse atraso, compramos CDs de um mesmo músico que soam, ora alto, ora baixo, dependendo da fonte utilizada. Não que todos os CDs devam ser altos, mas que soem naturalmente sem chiados, com vocais destacados o suficiente e instrumental limpo e bem distribuído.
Infelizmente, o que temos atualmente é uma batalha para se fazer o CD mais alto, sem a devida dinâmica, proporção e distribuição de voz e instrumentos – tudo soa muito alto e num mesmo nível.
Os CDs atuais, quando tocados em casa, automóvel ou ao ar livre parecem com uma banda tocando a todo vapor ao mesmo tempo bem a nossa frente, sem nenhuma ou quase nenhuma noção de profundidade.
Por causa disso e outros fatores, muitos preferem – com razão – seus LPs aos CDs. E também por isso, a indústria fonográfica vende novamente o que já compramos anteriormente, só que com o rótulo - nem sempre legítimo  -"remasterizado".
Jacy Dasilva  

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