sábado, 2 de outubro de 2010

Bolero – Maurice Ravel (1928)


Talvez seja a composição erudita mais popular da história. Muitos a consideram seu clássico favorito.
Mas foi uma obra feita sob encomenda. Isso mesmo.
A bailarina Ida Rubinstein (1885-1960) pediu a Ravel que compusesse uma peça para balé, com toques de música espanhola, a ser coreografada por Nijinski (1890-1950).

Ravel não queria aceitar e ter que compor, mas devia favores a Rubinstein – frequente financiadora de talentos. Pensou em adaptar uma peça do espanhol Albéniz (1860-1909), mas não conseguiu permissão da editora musical.
Restou-lhe fazer algo original.
E antes que continue, cabe uma breve explicação sobre teoria musical.

A nota musical é o sinal gráfico de uma onda sonora, uma frequência medida em Hertz. O timbre é o som que cada instrumento particular produz com cada nota. É o timbre que distingue o instrumento. O compasso é a forma de dividir quantitativamente a execução das notas e os silêncios entre elas.


Maurice Ravel
Nasceu na parte basca da França em 1875 e faleceu em Paris em 1937.
A história registra a influência de Debussy (1862-1918) em sua obra.
É verdade que foram contemporâneos e havia um relacionamento cordial entre ambos. Ravel chegou a orquestrar obras que Debussy fizera apenas para piano.
Ravel era polêmico em seu tempo, chegando a recusar prêmios e títulos. Era independente demais no modo de compor e tinha a fama de aluno dedicado, mas preguiçoso.
A encomenda de madame Rubinstein veio em boa hora.


A Composição
O Bolero é uma obra-prima de uma arte perdida – a orquestração.
Ravel compôs uma única frase musical, de cerca de 16 compassos, divididos em 2 partes de 8. O ritmo é o mesmo o tempo todo. Então, é tudo a mesma coisa? Não.
A obra começa com o tambor e o cello percutido marcando o ritmo. Uma flauta inicia a melodia hipnótica e obsessiva que vai repetindo as mesmas notas. Ao longo de sua execução, outros instrumentos trazem novos timbres à mesma frase musical, como o clarinete.
O ouvinte é levado a conhecer praticamente todos os instrumentos da orquestra. O conjunto se mantém em ascendência, num crescendo, até que há uma mudança, bem no final, de forma dramática e apoteótica.

Bolero estreou em novembro de 1928 e foi um sucesso, inclusive entre os maestros daquele tempo.
Houve um escândalo com a coreografia de Nijinski, considerada sensual demais – o que marcaria a obra para sempre.
Dos anos 1930 até os 1980, Bolero foi utilizada em filmes, nas cenas mais apimentadas e ganhou a fama de afrodisíaca.
Ravel costumava dizer que fora apenas um “exercício de orquestração” e ficou surpreso com a grande aceitação da obra. Passou a fazer parte do repertório clássico instantaneamente, mesmo sem balé.
É a obra francesa mais executada no mundo até hoje.
Existem divergências quanto ao seu tempo de duração, que vão de 9 até 17 minutos, porque Ravel cometeu um erro quando escrevia a pauta musical.
Numa entrevista ao Daily Telegraph, disse que o tempo ideal girava em torno dos 16 minutos.
Podemos encontrar boas gravações no mercado pela Filarmônica de Viena, Berlim e a Royal Philharmonic.

As lojas online costumam ter os CDs.

Jacy Dasilva




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